Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-07-2008

SECÇÃO: Cultura

……UM COMPOSITOR

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Franz Schubert

Franz Peter Schubert, nasceu em Liechtenthal, nos arredores de Viena na Áustria em 31 de Janeiro de 1797 e era filho de um professor de música e de uma cozinheira. Os seus pais tiveram catorze filhos, mas só ele e mais quatro irmãos sobreviveram.
Schubert nasceu no seio de uma família de músicos. Aos 6 anos de idade começou a receber as primeiras aulas de violino por parte do seu pai e o seu irmão mais velho, Ignaz começou a ensinar-lhe piano.
Um quarteto de câmara formado por Scubert na viola de arco, Ignaz e Ferdinand (outro irmão) no violino e o pai no violoncelo animava com frequências as noites da família.
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O seu pai foi-se apercebendo do interesse de Scubert pela música e em 1805 resolveu confia-lo a Michael Holzer, organista da sua paróquia para desenvolver os seus dotes musicais. Schubert começou a tocar violino e a cantar no coro da igreja, onde permaneceu até 1808.
Sempre atento à evolução da carreira musical o seu pai resolveu inscreve-lo num concurso para admissão de novos coristas para a Capela Imperial, em Viena.
António Salieri, compositor oficial da corte ficou impressionado com a sua bela voz de soprano, o que lhe garantiu de imediato um lugar no coro e um bolsa de estudos num dos melhores colégios de Viena. Em pouco tempo Schubert era o primeiro violino da orquestra da escola. Aqui começou a escrever as suas primeiras composições. A sua primeira composição: Fantasia a quatro mãos, data de 1 de Maio de 1810.
Schubert escrevia com muita espontaneidade, rapidez, fazendo poucas correcções e sem necessitar do piano. Em 1811 Schubert compõe seu primeiro Lied (ã): Hagars Klage.
Com tantas capacidades demonstradas levou Salieri a tornar-se professor do garoto.
Em 1813 Schubert já tinha composto: 15 lieds, 8 quartetos de cordas, 1 trio para piano, 5 aberturas, 1 sinfonia e numerosas fantasias e danças para piano. Entretanto infelizmente a sua voz torna-se de tonalidade grave e por isso perde o lugar de corista da capela imperial e consequentemente a sua bolsa de estudos. Em Outubro de 1813, antes de deixar a escola compôs a Primeira Sinfonia em Ré maior, dedicada ao seu director. Foi de seguida trabalhar como professor na escola do pai.
Em 1815 compôs a sua primeira missa, Missa em Fá Maior e acabou por se apaixonar pela cantora lírica que cantou esta missa – a soprano Therese Grob. Em 1816 Schubert abandona a casa e a escola do pai e foi viver com uns amigos.
Em Julho de 1819 a convite de um amigo começa a fazer uma digressão pela Áustria e tornou-se num grande êxito ao divulgar a sua obra. Entretanto criou uma grande obra a Truta, que era uma composição para um quinteto algo invulgar: violino, viola, violoncelo, contrabaixo e piano. Em 1821 os seus amigos começaram a imprimir exemplares contendo 20 lieder para serem vendidos juntos da burguesia da época. O sucesso foi estrondoso, mas o retorno económico foi fraco, pois o seu espírito comercial não era famoso. Schubert só sabia compor.
Em 1822 compôs a famosa Sinfonia Inacabada em Si menor. No ano seguinte começaram a surgir os primeiros sintomas da sífilis o que lhe motivou vários internamentos hospitalares e a entrar em depressão.
Em 19 de Março de 1827 vai ao funeral de Beethoven e compôs Winterreise (Viagem de Inverno).
O último ano da sua vida foi caracterizado por uma grande produção musical, sobretudo em obras curtas para piano. Neste período surgem obras transcendentes como o Canto do Cisne, a Nona Sinfonia em Dó maior (A Grande), o Quinteto para cordas em dó maior, e a Missa em Bi bemol maior.
Como resumo podemos dizer que Schubert foi notabilizado como melodista, mas não foi muito bem sucedido na ópera. Escreveu mais de 600 canções para voz e piano, deixando neste género musical o maior legado de todos os tempos.
Morre a 19 de Novembro de 1828 com apenas 31 anos com tifo. Foi sepultado no cemitério de Währing e em 1888 o corpo foi transladado para o cemitério de Zentralfriedhof, na zona central de Viena para repousar junto a Beethoven.

OBRAS-PRIMAS

Ciclos de canções

1823 Die schöne Müllerin (A bela Moleira)
1827 Die Winterreise (Viagem de Inverno)

Orquestra

1816 Sinfonia nº4 em Dó menor, “Trágica”
1822 Sinfonia nº 8 em Si menor, “Incompleta”

……UMA MÚSICA

Schubert é considerado por muitos críticos o maior autor de canções que alguma vez existiu. De facto o Lied (ã) alemão não seria, de alguma forma, o mesmo sem Schubert.
Perante este facto seleccionei uma canção para representar Schubert. Dentro do vário reportório existente a minha escolha cai sobre Winterreise (Viagem de Inverno).
Winterreise é um ciclo de 24 lieder composto em 1827 sobre poemas de Wilhelm Müller. Foi escrito para tenor, mas é frequentemente transposto para outras vozes. Constituem uma série de reflexões feitas por um viajante no Inverno, sobre temas sombrios e tristes.
De entre as múltiplas gravações existentes seleccionei a seguinte:
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DG – 0734049
(DVD Vídeo)

Trata-se de uma gravação de DVD Vídeo da Deutsche Grammophon, com Daniel Barenboim ao piano e na voz Thomas Quasthoff.
Daniel Barenboim é um pianista e maestro argentino, de ascendência judaica, origem russa e naturalizado israelense, sendo actualmente o director musical da Orquestra Sinfónica de Chicago e da Ópera de Berlim.
Thomas Quasthoff é um baixo-barítono de nacionalidade alemã e considerado um dos mais notáveis da sua geração. É de referir que o grande cantor apresenta uma grave deficiência física hereditária com um nanismo acentuado e uma atrofia acentuada dos membros inferiores, o que segundo julgo não lhe permite alimentar-se e cuidar-se de si pelas suas próprias mãos. Tem actuado com as mais destacadas orquestras do mundo e colaborado com os mais importantes maestros do mundo. Desde 1996 é professor no departamento de canto da Academia de Música de Detmold (Alemanha), onde tem uma intensa actividade. Trata-se de uma grande gravação a não perder.

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Como segunda opção (no caso de não conseguirem o DVD da DG), sugiro a seguinte gravação em CD da EMI.



EMI
– 5577902
(CD)



* Nota:
Lied (no plural Lieder) é uma palavra da língua alemã que significa “canção”. É um termo tipicamente usado para classificar arranjos musicais para piano e cantor solo, com letras geralmente em alemão.

Por: Maia Ramos

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