Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 28-07-2008

SECÇÃO: Opinião

TENHO ORGULHO EM SER CABECEIRENSE

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Contava 11 anos de idade, altura em que concluí o ensino primário, morava numa quinta situada no lugar da Soalheira, freguesia de Refojos, Concelho de Cabeceiras de Basto, onde trabalhava. O Inverno é a estação do ano que se vislumbra para todos os lados, porque não há vegetação. Naquele tempo, olhei o horizonte e questionei-me, a minha terra fica situada num vale, só observo montes à minha volta. Ainda não conhecia as freguesias do meu referido concelho.
Entretanto, o meu pai possuía uma junta de bois corpulentos, pelo que obteve na câmara municipal uma licença de carrear, na gíria era assim que se dizia, para poder efectuar transportes de madeira e outros no carro de bois. Com cerca de 13 anos de idade comecei a percorrer as freguesias do concelho de Cabeceiras de Basto, na companhia do meu pai, por caminhos em terra batida e calçadas muito irregulares, nos trabalhos dos referidos transportes. Naquele tempo não haviam outros. A estrada que liga a Quinta da Mata a Chacim e Leiradas, todo o desaterro desta estrada foi efectuado em carros de bois, onde andei 2 anos, e naquela altura eu com a junta de bois ganhava 70$00 por dia, na nossa moeda antiga e já me considerava bem pago.
Certo dia, encontrava-me na montanha, em barroso, nos trabalhos em referencia, volto a olhar o horizonte e observei a Serra do Marão e outras e concluí: afinal a minha terra é lindíssima. Passado algum tempo, andei no Arco de Baúlhe e Vila Nune, duas povoações que têm o rio Tâmega muito próximo, com deslumbrantes vistas sobre as encostas de Atei e também com o monte onde se situa Nossa Senhora da Graça. Na estação da Primavera fui com o meu pai à encosta do monte da Senhora da Orada carregar um carro de mato. Observei a paisagem, fiquei radiante com a beleza do concelho de Cabeceiras de Basto.
Descrevendo o centro da vila, conheci o campo do seco ou campo da feira, local porque é mais conhecido, com todo o piso em terra batida, com altos e baixos, sempre ali se efectuou a feira semanal à segunda-feira. O gado bovino ficava posicionado numa rampa onde estão construídos os edifícios dos Bombeiros, os Correios e o Nosso Café. Neste local existia um barracão e uma balança para pesagem destes animais. O restante que havia não vou referir. A Praça da República encontrava-se em melhor estado de conservação, porque de quando em quando deitavam saibro para manter o piso em boas condições.
Conheci a quinta do Mosteiro, onde trabalhei, a qual confrontava com o lugar do rio, campo do seco, Mosteiro, Acácias, Pinheiro e lugar das Almas, toda vedada com um muro de pedra bem alto. Nesta quinta moravam 5 famílias (caseiros), todos com muitos filhos e dali produziam toda a sua alimentação, não falando nas quantidades da produção que tinham de entregar ao proprietário das terras.
O concelho de Cabeceiras de Basto foi evoluindo muito lentamente ao longo dos anos. Lembro-me que o posto da GNR estava sediado onde hoje está a Polícia Municipal, sendo mais tarde transferido para o antigo Hospital velho, cujo edifício ainda se encontra situado no alto das Acácias, em estado de ruína. Seguiu-se a construção do Hospital novo, Professor Júlio Henriques. Este Hospital, se a memória não me atraiçoa, foi inaugurado por volta da década de 60 do século passado e esteve presente nesta inauguração sua Ex.ª o Senhor Presidente da República Américo Tomás. Nestes Hospitais, apesar da sua pequena dimensão e com o concelho pouco desenvolvido, faziam-se pequenas e grandes cirurgias, pelo cirurgião Doutor Pulido que vinha da cidade do Porto, auxiliado pelo clínico cabeceirense Doutor Francisco. O centro Hospital Professor Júlio Henriques deixou-me imensas saudades por uma razão simples: porque participei num enorme cortejo recheado de ofertas para ajudar a sua construção. Apesar deste centro hospitalar se encontrar em funcionamento apenas cerca de 4 décadas, nunca se realizaram obras para o manter, mas foi pena, em virtude do mesmo se encontrar bem situado. Os habitantes cabeceirenses contribuíram e muito para a sua construção e hoje é propriedade da Santa Casa da Misericórdia. Memórias do passado que nunca esquecerei.

O DESENVOLVIMENTO DO CONCELHO NA ÚLTIMA DÉCADA

As freguesias que fazem parte do Concelho de Cabeceiras de Basto, sem excepção, sofreram ao longo de uma década transformações e crescimento, nomeadamente na construção e pavimentação com melhoria dos caminhos e algumas destas freguesias já beneficiaram de infra-estruturas de saneamento básico. Todo o concelho desenvolveu com a construção e reconstrução das seguintes obras: Casa da Cultura, Casa da Música, Centros de dia, Centro de Educação Ambiental de Vinha de Mouros, Centro Hípico, Central de Camionagem, Lares para idosos, Parques infantis, Parques de lazer, pavilhões gimnodesportivos, pavimentação da Praça da República, piscinas municipais, praias fluviais e outras. Estas obras cada qual para o fim a que se destinam, podem ser ainda, na sua maioria, locais de convivência, de reunião, tendo as pessoas a possibilidade de ser reverem, trocarem afectos sentidos, conversarem e se divertirem.
Referi como conheci a Quinta do Mosteiro. Hoje com as construções das avenidas, rotundas, parque adjacente ao Mosteiro, Mercado Municipal, edifícios para habitação e comércio e ainda edifícios públicos, nomeadamente o Centro de Saúde, a Unidade de Internamento, o Posto da GNR, o futuro Palácio da Justiça (ainda em construção), e infra-estruturas para arruamentos, estão a absorver parcialmente toda a referida quinta. Saliento a Unidade de Internamento porque é sinal positivo e mais ainda para os doentes terminais. Com toda esta evolução não posso deixar de referir ainda a pavimentação da Estrada Nacional 205, que liga Cabeceiras de Basto à Vila do Arco de Baúlhe, em virtude desta dar acesso directo às zonas industriais de Olela-Basto e Lameiros-Refojos e a outras freguesias de grande densidade populacional e à Auto-Estrada A7.
A variante em construção que ligará o Nó da Auto-Estrada, localizado no Arco de Baúlhe, a Lameiros-Refojos, virá certamente contribuir também para maior segurança e qualidade de vida das pessoas principalmente daquelas que vivem na sede da Vila do Arco de Baúlhe. Esta vila na última década sofreu também melhorias nítidas e reconhecidas, aliadas ao novo Centro de Emprego, em fase de construção.
Não posso deixar de citar, o passeio de convívio e de lazer que anualmente a Câmara Municipal, em sintonia com as Juntas de Freguesia, proporciona aos idosos, porque é a classe etária que necessita de ser ajudada e também é o modo de muitos deles saírem do isolamento.
A reconstrução da antiga escola primária de Lameiros, destinada a dar formação tecnológica, é uma mais valia para o mundo do emprego e só agora faço referência desta obra, por uma razão simples: foi ali que aprendi as primeiras letras, foi ali que consolidei a minha educação, dali saí para o mundo do trabalho, dali tenho imensas saudades.
O desenvolvimento de que faço referência deve-se ao facto de os habitantes cabeceirenses terem um Presidente competente, inteligente, dinâmico, possuidor de uma enorme formação moral e cívica, que muito contribuiu com os seus conhecimentos profissionais e empenhamento pessoal, para o bom funcionamento dos diversos sectores da Câmara Municipal.
Deixo aqui uma palavra de apreço à boa organização da Feira e Festa de S. Miguel de Refojos, do ano de 2007. Não destaco nenhum assunto que citei, porque todos têm muito valor, apenas reafirmo que tenho orgulho de ser cabeceirense, o Concelho evoluiu de forma assustadora, é uma parcela de terreno do Distrito de Braga, lindíssima e acolhedora.

Por: Manuel Sousa

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