Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-07-2008

SECÇÃO: Recordar é viver

Santos Populares

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É noite de S. Pedro na Raposeira

Hoje a Raposeira está toda engalanada. É a noitada do S. Pedro.
A festa organizada pelo segundo ano consecutivo pela Associação Cavaquinhos da Raposeira, para confraternização com todos os sócios, fez com que a festança extravasasse para fora do Largo da Raposeira. Com a boa vontade da direcção da Associação, que ainda é uma criança nestas andanças, dos membros fundadores e das famílias que colaboraram com os vinhos e petiscos, foi possível fazer uma festa digna do local com tanta história como é o largo da Raposeira!
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Toda a gente sabe, até porque nós não deixamos esquecer, a Raposeira é falada no romance “O Filho Natural” de Camilo Castelo Branco, onde a dada altura se diz “… ouviram-se os pianos na Raposeira… “. Em tempos que já lá vão foi muito conhecida por ser o lugar de residência do Padre Domingos Pereira, protagonista das guerras monárquicas. O Largo da Raposeira também é conhecido pelos encontros apaixonados dos namorados naquelas históricas escadas que também presenciavam de vez em quando algumas brigas e coscuvilhices das mulheres mais velhas que aproveitavam as escadas para descansar aos domingos e pôr as conversas em dia.
Era na Raposeira que, em tempo do século passado, antes mesmo de eu ter nascido, que se festejava o S. Pedro, depois da Festa do S. João da Ponte de Pé, o rival eterno da Raposeira.
Festejava-se com tudo o que era a tradição. Cascata nas escadas, bandeiras a enfeitar as ruas até ao fim da avenida, junto á loja do Senhor Carneiro, meu falecido sogro, que ficava por baixo da casa do Coronel Pacheco.
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Era também colocado um pau sem casca, ensebado, no centro do largo da Raposeira com um bacalhau, e uma garrafa de vinho do Porto ou vinho engarrafado à espera que houvesse um valentão que conseguisse subir até ao alto e ganhar o que lá estava.
Havia também as corridas de saco, as corridas da perna atada, em que duas pessoas eram ligadas por uma corda ou correia e tinham de correr aos pares. Não podiam faltar as concertinas porque ainda não existiam estes modernismos de agora. Só existia, que me lembre, o “Salsinha de Alvite” com a sua aparelhagem sonora e que se deslocava “a qualquer lado, houvesse ou não corrente eléctrica”, como dizia.
E não foi mera coincidência a organização deste dia festivo organizado pela Associação dos Cavaquinhos da Raposeira.
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E desta forma aquilo que era para ser um convívio com “uns comes e umas tocatas” pelo meio, transformou-se num autêntico arraial minhoto. Conseguiu-se que o Largo que diariamente é pouco concorrido, naquela noite se enchesse de gente que acorreu em procissão àquele local em que tanto brincaram quando crianças. Todos participaram trazendo comida, sobremesas, vinhos, sumos. Não faltaram as febras, o entrecosto, o frango no churrasco e a bela sardinha assada que deu para pingar bem a rica broa do “João Padeiro” do Arco de Baúlhe! Estavam de comer e chorar por mais!
Não faltou gente mas, graças a Deus, a comida também foi muita. E quem por lá passava também se associava à festa surpreendido e agradado.
Nessa noite a Raposeira vibrou! Fez lembrar outros tempos.
Quem sabe, se a garra não faltar a esta Associação dos Cavaquinhos da Raposeira, se não terá sido lançada a semente para festejar o S. Pedro como era da tradição. Vou deixar espaço para as fotografias para que vocês possam ter uma ideia de que “fibra” são feitas as pessoas deste largo e da jovem mas já muito dinâmica Associação!
Até porque, como é comum dizer-se, “há imagens que valem mais que mil palavras”!

fernandacarneiro52@hotmail.com

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