Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 07-07-2008

SECÇÃO: Golpe de vista

Deprimente!

Não é difícil fazer a lista. Para dar o nome, há sempre muitos disponíveis. Seja para a Associação, para o Clube, para o Partido, e sei lá para mais o quê, rapidamente se completa a lista de candidatos. Muitas vezes até há alguma dificuldade em incluir todos os nomes. E os melindres também acontecem. «Por que é que vou depois daquele? Por que é que o outro vai à minha frente? Porquê isto, porquê aquilo…? Afinal, eu vou, mas tem que ser neste ou naquele lugar». Enfim! Com maior ou menor dificuldade a lista lá se fecha.
O problema surge depois da eleição. É verdade. Depois, é preciso trabalhar. É preciso dispor de tempo. É preciso algum sacrifício. E isso é que já não é nada interessante!!!
Assisti há dias à Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto. Durou três longas horas. Discutiram-se vários assuntos. Mas fiquei espantado! Espantado, desde logo com o facto da bancada da oposição à Câmara estar reduzida a metade. De facto, o PSD-CDS/PP estava representado por metade dos eleitos. Eleitos por uma percentagem de cabeceirenses que neles votaram acreditando, com certeza, que seriam os seus dignos representantes. Mas, a verdade é que muitos deles faltaram. Acho que os seus eleitores mereciam mais respeito. A não ser que as faltas tenham sido todas justificadas por motivos de força maior. Não sei se o foram, mas acredito que possam ter sido.
Espantado, depois, porque assiti a três horas de Assembleia Municipal e não ouvi, dos membros do PSD-CDS/PP que lá estavam, um único comentário, um único protesto, um único desabafo, uma única proposta, um único voto.
Ainda pensei que pudessem apresentar um voto de pesar pelo desaparecimento de um ilustre Cabeceirense que havia ocorrido há poucos dias. Mas, nem isso. Limitaram-se a votar as propostas alheias. Levanta o braço, baixa o braço, levanta o braço, baixa o braço…
Foi isto que pude ver naquela Assembleia por parte dos membros do PSD-CDS/PP, contrastando com a atitude dos membros do PS ou mesmo do membro da CDU. Aliás, este último, excedendo até, com as suas intervenções, aquilo que se pode achar de tempo razoável. Não conheço o regulamento de funcionamento daquela Assembleia, mas pareceu-me que um só membro de uma força política tenha também direito a tanto tempo para intervir. É caso para dizer: uns falam de menos, outros falam de mais.
E volto à formação da lista.
De certeza que não houve dificuldade em fechar a lista. Mas, pelos vistos, o pior é participar. E, fiquem a saber que neste caso até recebem cerca de sessenta euros para estarem presentes. E faltam. Imaginem como seria se não recebessem nada.
Simplesmente deprimente!
Não há participação cívica. Não há participação política.
Então por que estão lá?

A.C

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