Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 16-06-2008

SECÇÃO: Opinião

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OS PROFESSORES SÃO A PEDRA BASILAR DO SUCESSO ESCOLAR
Há que contar sempre com eles e não entrar em conflitos evitáveis, que deixam muitas vezes marcas difíceis de apagar.

O ano lectivo escolar de 2007/2008 chegou ao fim. O que se passou no mundo do ensino e da educação escolar é altamente preocupante. Ministério, professores, pais, cidadãos, porque também eles têm a palavra, parece que já ninguém se entende. Todos falam de todos, todos atiram pedras, todos se queixam, todos dizem que não cedem, todos se consideram vencedores numa batalha em campo aberto, mas sem diálogo à vista.
Se há acção em que toda a gente se deve entender para colaborar sem preconceitos, sendo pressuposto, como é normal e legítimo, o diálogo em que se discutem abertamente os problemas em campo, bem como o modo possível de os ir resolvendo, com mérito e civilidade, é a acção educativa, que se espera da escola e de todos os seus mais directos intervenientes. Neste mundo concreto, o mais importante são os alunos, que querem e têm direito a aprender, com pais, professores, governantes e cidadãos em geral, a prepararem-se para a vida e a capacitarem-se para serem cidadãos responsáveis, conscientes e participativos. O livro que lhes abrem com toda esta batalha, que podia ser dispensável, não traz lição apetecível que se possa aprender.
Os professores há muito que se vêem desmotivados, por razões das contínuas medidas do Ministério, unilaterais e não admitindo réplica, dando a impressão de que quem governa lá de longe, tudo resolve com ordens e papéis, parecendo não ter em conta, nem a natureza do trabalho de quem ensina, nem a realidade de muitas escolas que hoje, em muitos casos, são campo difícil, que só o conhece bem quem vive e actua lá dentro. Os educadores escolares são agentes necessários na escola e na missão que a esta compete. Há que contar sempre com eles e não entrar em conflitos evitáveis, que deixam muitas vezes marcas difíceis de apagar.
Há, em ligação à escola, problemas urgentes a resolver. Todos o sabemos. Não são sempre boas as condições de trabalho. O ambiente, dentro e fora da escola, deteriorou-se. A grande maioria dos professores das escolas do Estado, que fazem esforços heróicos para serem fiéis à sua missão, gente com direitos adquiridos e vidas organizadas, gente séria, competente e sabedora, que vai marcando vidas e gerações, colegas amigos e fiéis aos outros colegas, profissionais que se gastam, diariamente, numa tarefa que constitui para si uma autêntica paixão. Não o reconhecer, se for o caso, é ser injusto e irritar um mundo de gente de que o país precisa. Está na rua e em luta, o que nunca deveria ser preciso levar à rua.
Parece urgente acabar-se com esta batalha em campo aberto, entre Ministério e professores, com manifestações e contra manifestações. Há batalhas muito graves e urgentes na vida e no agir da escola e no campo da educação. Elas não se podem adiar e aí todos fazem falta. O importante não pode apagar o essencial. A indisciplina é tão grande, nas escolas, que muitas aulas não são dadas, ou são ministradas a medo, sem cumprir os objectivos mínimos. A escola transformou-se, para os professores, numa arena de burocracia sem sentido, onde quase ninguém se sente bem. Na escola está o futuro e como os professores são a pedra basilar do sucesso escolar, esta classe tem que ter autoridade e dignidade.
A comunicação social mostrou ao mundo situações lamentáveis de como os alunos tratam os professores, desde a violência física, indisciplina, ameaças e agressões. Perante tais actos é necessário e urgente separar o trigo do joio, isto quer dizer que se deve proteger os alunos que querem estudar e aprender, e punir severamente os prevaricadores. Deixo aqui uma palavra de apoio a todos os professores e conselhos directivos para terem coragem e imporem disciplina nas escolas. E que o ano de 2008/2009 seja um sucesso para todos os intervenientes.

Por: Manuel Sousa

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