Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 26-05-2008

SECÇÃO: Informação

Maioria satisfeita com os autarcas, presidentes de câmara

Uma das conquistas mais importantes do 25 de Abril foi, com toda a certeza, a instituição do poder local. Desde 2006 que os portugueses têm tido a possibilidade de eleger os seus dirigentes locais. E esta conquista política só pecou, no meu entender, por não ter ficado completa desde logo, com a regionalização. É certo que essa regionalização está prevista na Lei Fundamental, ou seja, na nossa Constituição da República Portuguesa e que, por isso mesmo, já há muito tempo poderia estar concretizada. Mas, ao contrário do que seria possível e desejável, a sua criação ficou dependente de um referendo que alguns exigiram e a que outros anuíram. E, assim, num momento de grande crispação política à volta deste tema, interesses inconfessáveis de uns tantos conseguiram convencer a maioria dos portugueses dos “malefícios” de tal ousadia – retalhar o país. E infelizmente aqueles que mais poderiam ter beneficiado com a regionalização foram precisamente os que mais se opuseram a ela. É por isso que não deixa de ser estranho que muitos daqueles que no passado defenderam acerrimamente a “pseudo unidade nacional”, venham agora defender a regionalização. Se essa atitude significa evolução do seu pensamento deveremos louvá-la, se, ao invés, denota algum oportunismo deveremos condená-la.
Vem isto a propósito de um estudo recente a que tive acesso e que gostaria de partilhar com os estimados leitores. Nesse estudo de avaliação do grau de satisfação dos portugueses com o poder local, conclui-se que dois terços da população portuguesa estão satisfeitos com o desempenho do seu presidente da Câmara Municipal. Já relativamente aos serviços camarários a percentagem de satisfação é um pouco inferior, situando-se ligeiramente acima dos cinquenta por cento.
Estes resultados denotam que, quando se fala do presidente, o grau de satisfação dos munícipes é superior ao grau de satisfação dos serviços camarários. Isto significa que, embora o presidente da Câmara seja o rosto do Município, responsável máximo pela autarquia, os portugueses separam a actuação do presidente da actuação dos serviços camarários, valorizando mais o desempenho deste do que o dos serviços. E, na verdade, nem sempre é fácil quebrar com a acomodação e as práticas de longos anos. As reformas, a simplificação, a melhoria da qualidade dos serviços encontra muitas vezes resistências difíceis de ultrapassar. E quando é preciso avançar, inventam-se sempre um sem número de dificuldades com o objectivo de neutralizar as mesmas. Espera-se que as recentes reformas da administração pública e consequente avaliação dos profissionais tragam melhorias para as populações.
Contudo, apesar de inúmeras dificuldades, ninguém hoje questiona o poder local. E foi graças ao poder local e ao desempenho, muito em particular dos presidentes de câmara, que o nosso território se desenvolveu nestes últimos trinta e dois anos como não acontecera antes. Se por um lado se ouvem algumas críticas às rotundas, ao urbanismo, aos equipamentos, a verdade é que a maioria dos portugueses tem hoje ao seu dispor um conjunto de serviços e equipamentos que não tinha num passado muito recente. Hoje há escolas, creches, lares, pavilhões, piscinas, bibliotecas, centros de saúde, água, saneamento, estradas, museus, e muito mais, um pouco por todo o lado, o que significa um salto qualitativo muito importante no desenvolvimento das aldeias, das vilas, das cidades.
Não fora o poder local e estou certo de que o desenvolvimento das nossas terras não teria evoluído com a rapidez que todos conhecemos. O processo é imparável e os presidentes de câmara, acompanhados pelas suas equipas de vereadores, continuarão a defender os interesses das suas populações. E estas por sua vez vão poder continuar a escolher livremente aqueles que querem à frente dos destinos das suas comunidades.

MM

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