Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 05-05-2008

SECÇÃO: Opinião

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LEMBRAR O ASSASSINATO DA CANDIDATA BENAZIR BHUTTO

Pobre Benazir, deixa-me, mesmo à distância, louvar-te pelo que eras, pela vida que levaste, pela morte que te deram e tu não merecias.
Vou partir do jornal “Ecos de Basto”, para lhe prestar as minhas homenagens. Dois tiros ou a explosão de um homem-bomba assassinou Benazir Bhutto.
Merece-as pela sua inteligência, pela sua beleza - trágica como o seu destino, e pela sua coragem. É preciso ter coragem para, num país como o Paquistão, que está quase a transformar-se num país oco, sem estruturas politicas e administrativas estáveis, prestes a cair nas mãos dos grupos terroristas a preencherem o vazio estrutural, dizer como Benazir disse, que se fosse eleita, iria desencadear uma guerra sem tréguas ao terrorismo, o qual já domina o norte deste país.
Os órfãos do socialismo real apontam o dedo acusador ao Presidente Musharaf. Por uma razão simples: preferem as explicações que sejam anti-ocidente e sobretudo anti-América. No entanto, era para implantar ao Paquistão os princípios basilares da democracia ocidental, e não a de Chaves ou de ex-Fidel, que Benazir lutava. Foi aliás por isso que ela foi autorizada pelo presidente em funções, a voltar ao Paquistão e quem sabe para lhe ser montada a armadilha para a sua morte. As críticas válidas que Benazir fazia a este presidente, todos os analistas disseram que havia entre eles um acordo secreto e se há alguém a quem Benazir fazia falta, não falando do filho e dos seus apoiantes, seria a Musharaf. Sem Benazir, Musharaf não consegue dominar o seu país. A alternativa a Benazir e ao ocidente, é Al Quaeda e os Talibãs. O Afeganistão, que faz fronteira com o Paquistão, foi o primeiro Estado oco, de que os terroristas se apropriaram. Apesar de não se tratar de eleição presidencial, o chamado homem forte do Paquistão é hoje um presidente claramente enfraquecido, porque Benazir foi a grande triunfadora nas eleições de 2007, apesar de morta. Se Musharaf não conseguir um governo de coligação forte, o arsenal do Paquistão cairá nas mãos dos que supõem que é possível acelerar a criação de um mundo novo através de actos espectaculares e massivos de destruição de seres humanos inocentes, porque o Paquistão é o único país muçulmano que possui a arma nuclear. Nesse caso, é muito provável que as maiores cidades da União Europeia, porque não a cidade de Lisboa, venham a ser vítimas de terrorismo, das ameaças já o nosso país não se livra, apesar das nossas forças armadas e de segurança se encontrarem além fronteiras, apenas ao serviço da paz no mundo.
Porém, este terrorismo pode evoluir e que uma guerra mundial, iniciada no Paquistão e a Índia, venha dar uma mãozinha à poluição, acelerando decisivamente o desaparecimento da espécie humana. Esta gente sem escrúpulos e cruéis não param de matar pessoas inocentes.
É inconcebível que o terror, um misto macabro de negação da condição humana e de crueldade sem limites seja, aos olhos de certos bons pensamentos, mais simpáticos do que NATO. A resposta é visível, porque a NATO é ocidente e é liderada pelos Estados Unidos da América.
Quando era jovem, lembro-me do assassinato do General Humberto Delgado, opositor do regime de Salazar, e tu, Benazir, pela tua coragem e valentia, lutaste até à morte, por isso, os que te admiravam nada mais podem fazer que homenagear-te porque, pelo motivo que referi, tiveste o mesmo rumo. Tu sabias, Benazir, o que o teu assassinato podia provocar, e quando sofreste o primeiro atentado, acusaste os terroristas. Pobre Benazir deixa-me, mesmo à distância, louvar-te pelo que eras, pela vida que levaste, pela morte que te deram e tu não merecias. Saliento que fiquei chocado. Quando caminhavas no teu destino; tiveste muito pouca sorte; foste atacada pelo vizinho; que te levou até à morte.


Por: Manuel Sousa

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