Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 05-05-2008

SECÇÃO: Opinião

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QUE SABEMOS NÓS?...

Que sabes tu, quando digo com voz tímida que tenho medo?!
Que sabes tu dos fantasmas que tomam meu andar e remexem nos meus risos, a fim de que os esconda do que torna os dias claros e luminosos?!
Que sabes tu, para me dizeres com altivez, que os meus medos não passam de tolices ou coisas infantis??!.- Que sabes tu das coisas, para me magoares, ao dizeres que já não tenho idade para prender certos medos?!
Que sabes tu, para me dizeres que o vento não fala, quando eu me ponho a conversar com ele?!
Que sabes tu, dos meus segredos, para os sondar ou abordar?! São meus! Ninguém mos pode tirar…! E se eu considerar segredo uma tal amizade que poderei cultivar pelas coisas mais pequeninas, que enfeitam o universo?!... Porque hás-de tu pensar que não é segredo aquilo que te pões a cantar tão alto?!
Porque me falas de sonhos, se os meus sonhos não passam (para ti) de meras ilusões, que tu atiras ao ar como se fossem grãozinhos de areia? Não saberás tu, de que são feitos os castelos mais firmes? Não saberás tu, também, que com os meus sonhos não se brinca?
Que sabes tu do meu dia calado?!?Saberás, por acaso, dos motivos que me prendem ao silêncio, esta noite?
Tu nunca saberás…
Nunca saberás o tamanho da morada que tens dentro de mim, que até é de pedra (para nunca se perder), mas não se pode chegar, pois toca no céu…!
Nunca saberás do quanto peço por ti, enquanto dormes… Pois, peço a eternidade do teu sorriso.
Sabes porquê?
Porque eu também não sei nada…
Não sei daquilo que te pode atormentar… Porque o que te pode assustar, a mim, me pode deslumbrar…!
E… que sei eu dos diálogos que estabeleces com as estrelas?!Como poderei saber se, elas conhecem a tua língua e eu não?!
Que sei eu dos teus mistérios, se eu própria me escondo das frinchas de luz que tantas vezes, avisto ao longe?!
Que sei eu dos teus sonhos, se são eles o teu alento e amparo quando me encontro a voar no infinito das coisas vãs?!
E… que sei eu do teu silêncio, se tu preferes calar e esconder a voz dos sons que me fazem parar?
Nós não sabemos nada! Porque nos julgamos, então?!
Como podemos matar a vontade de percorrer o fio dourado que nos pode levar até á outra margem?
Como poderemos pensar que permanecer sentados a olhar, nos poderá levar ao eterno abraço, capaz de nos deixar a sorrir para tudo aquilo que existe?
Dá-me a mão…
Vamos fazer coisas que nos falem da beleza que vem de dentro da existência;
Vamos acreditar em milagres, e assim, reparar na lua e no brilho que possuí sobre as mãos que levantam o faixo da noite, sendo ela estrelada ou não!...
Se não sabemos nada…
Juntemos nossas cores, a fim de se criarem novas cores…!
Aceita-me assim: pequenina, mas do tamanho do meu EU!
Aceito-te como és: do tamanho de tudo o que sinto!
Assim, com a certeza de que o amanhã vai ser melhor, faremos sempre mais…!
É que a vida tão simples é boa…
Mas, só o saberemos se não nos julgarmos mutuamente.

Por: Magda Teixeira

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