Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 05-05-2008

SECÇÃO: Política

PELA ASSEMBLEIA MUNICIPAL (Por Corvo do Mosteiro)

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Oposição “residual” abre portas à (quase) unanimidade

Decorreu com normalidade a segunda reunião anual da Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto, realizada no passado dia 17 de Abril. A novidade residiu, quiçá, no novo mobiliário que a Câmara Municipal dispensou aos senhores (e senhoras) deputados municipais, ao criar-lhes melhores condições de comodidade e de trabalho... “Congratulations!
Motivo também para dar início a uma nova coluna neste Jornal – a Crónica do Corvo do Mosteiro – cujo autor, o Corvo (que a tudo assiste (e ouve) do alto daquele quadro que encima o Salão Nobre da Câmara Municipal e que segundo a lenda, impediu que o Abade do Mosteiro fosse envenenado com o pão traiçoeiro dos seus confrades) faz questão de dar continuidade em próximas edições, sempre que haja reuniões deste órgão.
Voltando ao assunto, a Câmara Municipal viu aprovados pela Assembleia, quase sem oposição, os vários documentos que lhe foram remetidos. (Ver quadro).

“Resistência” reduzida a dois

Tidos por assuntos de maior interesse, a Conta de Gerência e Relatório de Gestão de 2007 e o Inventário Patrimonial da Autarquia, avaliado em 77,4 milhões de euros (cerca de 15,5 milhões de contos), a sua discussão era aguardada com alguma expectativa, desde logo gorada porquanto, mais uma vez, o principal grupo da oposição se esquivou ao debate, remetendo-se a um sacramental “voto de silencio”. Atente-se que ao longo de mais de três horas, a coligação PSD/CDS não utilizou mais de dez minutos: Primeiro, Júlio das Neves Alves, no seu jeito muito peculiar de “dar a cara” em todas as situações, mesmo quando desenquadrado, no vazio ou no escuro, fê-lo de uma forma voluntariosa, mas grotesca e agressiva, ao ponto de deixar os seus parceiros de bancada com a respiração suspensa. Desta feita, caiu no ridículo ao descortinar nas idas anuais dos idosos ao arraial da Malafaia a fonte geradora de todas as maleitas da Autarquia e o motivo maior das dívidas que a Câmara tem! Sem mais argumentos!

“Em 2008, à Malafaia vai quem quiser …” Palavra de Presidente!

A resposta a esta questão saiu pronta, da boca do Presidente da Câmara Municipal, para explicar as razões porque discorda do entendimento tido como “simplista e mal intencionado “ de Júlio Alves. Disse mais, que este ano de 2008, as inscrições para a Malafaia serão abertas, não só aos idosos e aos jovens, mas a todas as pessoas do concelho que o queiram. Convidou até Júlio Alves a associar-se, mas este rejeitou e logo de seguida, num gesto que vem lhe vem sendo habitual nas reuniões, pirou-se mais uma vez de mansinho...
Assistimos depois à intervenção de Custódia Magalhães, a líder do grupo, que se limitou a inquirir o Presidente sobre questões menores, pois, sobre a Conta de Gerência ou inventário Patrimonial em apreço, nada disse. A postura destes dois deputados da coligação PSD/ CDS leva-me à tentação de citar o nosso Presidente da República, Dr. Cavaco Silva, numa frase recente, com a qual pretendeu “branquear” a malcriadez de um tal “louco” madeirense. Depois de alguns dias a meditar sobre a “lixívia” adequada para limpar tamanha sujeira, disse, em tom tolerante e complacente, o mais alto magistrado da nação: “É o estilo de fazer política...” Pois é! Mas com este estilo, estes dois ilustres deputados municipais não vão a parte nenhuma e acabam por fazer jus aos cognomes com já são conhecidos nos corredores dos “passos perdidos” da nossa Assembleia, o “Chat(o) Fedorento” e a “Abelha Douta”.

Ainda a CDU

Bem diferente, refira-se, foi o membro da CDU. Visto do alto desta bancada, José Manuel Marques, faz sozinho, o papel de um fiel “bandeirante”. Vai a todas! Esgota o tempo que lhe é reservado e o dos outros... Obriga o Presidente da Assembleia a intervir com frequência; fala com a mesma convicção sobre o que conhece e desconhece e as suas intervenções são, por vezes, verdadeiras caldeiradas opinativas (muitas delas importadas) onde raramente se consegue descortinar racionalidade e coerência. Daí, a razão de ser repetidamente contrariado e desmentido pelos membros da Câmara Municipal e da Assembleia. Teve, porém a ousadia de ser “correio”, trazendo à liça dois temas abordados num jornal local, quando questionou o Presidente da Câmara sobre o advogado lisboeta, João Pedroso, por este ser defensor da Câmara em alguns processos judiciais, querendo também saber do valor dos seus honorários. A resposta foi telegráfica: “- O Dr. João Pedroso tem carteira profissional para exercer em qualquer parte do país e do mundo… e quanto aos custos, compare-os aos de qualquer outro advogado cá do burgo…” , disse Joaquim Barreto.

No PS - a coesão

A todas as perguntas e pedidos de esclarecimentos respondeu o Executivo, umas vezes, pela voz do seu Presidente que, como sempre, nunca deixa as explicações a meio, outras, pela dos seus vereadores presentes.
Por sua vez, a bancada da maioria PS (26 num total de 38), cumpriu com naturalidade o seu papel, de uma forma académica, bem estruturada e abonatória em relação às iniciativas do Executivo. As várias intervenções proferidas varreram transversalmente todas as áreas de actividade da Autarquia. A conta de Gerência foi escalpelizada por Francisco Alves e Serafim Pereira; o sector da Educação, por Benvinda Magalhães; o Património e as obras financiadas por fundos comunitários, por Domingos Pereira; Rosa Miranda falou das parcerias com o movimento associativo, o sector social e equipamentos escolares; Avelino Sousa, Presidente da JF de Vila Nune, no seu estilo de “matador”, rematou as questões mais polémicas com expressões surpreendentes de cariz popular, imbuídas de humor e sentido crítico; por último, José Lopes, menos interventivo e palavroso do que o habitual, falou sobre as infra-estruturas básicas (águas, saneamento e vias municipais) finalizando com um resumo das várias intervenções da sua bancada: “ - Uma Câmara Municipal que há vários anos faz uma gestão dos seus recursos financeiros com equilíbrio orçamental, que reduz a dívida herdada sem diminuir o investimento, que faz crescer todos os anos o seu património público e privado, que promove o desenvolvimento sustentado e harmonioso, torna-se necessariamente merecedora dos elogios da Assembleia Municipal e do reconhecimento da população do Concelho”, disse.

O Corvo do Mosteiro

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