Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 05-05-2008

SECÇÃO: Golpe de vista

Baralhado!

Confesso que estou baralhado com a atitude do PSD de Cabeceiras de Basto relativamente à votação de um dos assuntos levado pelo executivo municipal às reuniões de câmara e assembleia municipais. Com efeito, em reunião da câmara, os dois vereadores do PSD votaram contra e, sobre o mesmo assunto, na assembleia municipal, dois membros daquele partido também votaram contra, enquanto todos os outros votaram a favor. A mesma matéria determinou, no mesmo grupo, posições antagónicas. Há aqui sinais evidentes de alguma desorientação.
Defendo e sempre defendi, a pluralidade de opinião. Mas, onde quer que estejamos, a nossa opinião vale o que vale. Por isso, quando nos associámos a outros e com eles queremos construir um qualquer projecto comum, seja numa associação, clube, colectividade ou até partido político, deveremos, a não ser em casos excepcionais, eventualmente ligados à objecção de consciência, aceitar as orientações definidas e assim sujeitar o nosso voto à vontade da maioria. Só desta forma entendo possível levar por diante harmoniosamente um qualquer programa que pusemos ou queremos pôr em marcha. É importante perceber que, estando integrados num grupo, deveremos ter uma postura consentânea com a linha de pensamento, orientação e escolha do todo. E isto não significa que não haja democracia, bem pelo contrário. Se assim não for então deveremos ficar sozinhos. Orgulhosamente sós! Aí não haverá dúvidas, a nossa opinião é a nossa opinião.
Aproveitando uma resolução do Conselho de Ministros de Fevereiro último, as autarquias podem aceder a empréstimos financeiros de médio e longo prazo, em condições especiais bastante vantajosas, tendo em vista o pagamento atempado de fornecimentos ou serviços prestados, reduzindo os prazos médios de pagamento para 30 a 40 dias.
Esta possibilidade veio criar, desde logo, algumas expectativas nos fornecedores das autarquias locais. Dificuldades de tesouraria e elevados passivos herdados de mandatos antigos, mas também medidas restritivas adoptadas essencialmente a partir de 2002 pelo Governo central, provocaram atrasos nos pagamentos a fornecedores.
A autarquia cabeceirense ao aderir ao programa “Pagar a tempo e horas”, à semelhança do que aconteceu com muitos outros municípios, vai pagar mais depressa grande parte da facturação aos seus fornecedores. E esta possibilidade vai gerar receitas antecipadas nas empresas o que terá necessariamente reflexos muito positivos na economia local. Os empresários ficarão com toda a certeza satisfeitos.
Por que razão o PSD não tem uma posição clara quanto a este programa? Por que será que os vereadores e dois membros da assembleia municipal votaram contra este programa?
Estarão interessados em não regularizar dívidas antigas aos fornecedores?
Estarão do lado do “quanto pior melhor”.
Será que os empresários cabeceirenses já se aperceberam dessa vontade laranja?
Não deverão os nossos representantes políticos aproveitar todas as oportunidades para promover o desenvolvimento dos seus territórios?
Afinal qual é a posição oficial?

A. C.

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