Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 14-04-2008

SECÇÃO: Informação

«Mulheres entre Claustros» tema do IX Encontro da APIHM

A Associação Portuguesa de Investigação Histórica sobre as Mulheres, realizou no passado dia 5 de Abril, em Cabeceiras de Basto, o 9º encontro, desta feita subordinado ao tema «Mulheres entre Claustros».
Uma iniciativa que agregou um naipe de estudiosos provenientes de vários pontos do país para conhecer e partilhar conhecimentos sobre esta temática.
Histórias, «olhares, lugares e vivências» de mulheres entre claustros, afloraram este 9º encontro da APIHM, e transformaram-no numa jornada de sapiência, cuja abertura contou com a presença do Presidente da Assembleia Municipal de Cabeceiras de basto, Dr. Serafim China Pereira. O autarca, na ocasião, agradeceu a presença de todos, enalteceu o trabalho de investigação desenvolvido por esta associação sedeada em Vila Nova de Gaia, em torno das mulheres e do seu percurso ao longo dos tempos em diferentes áreas de intervenção
Referiu ainda que a organização deste tipo de encontros, permitem não só agregar as pessoas à volta dos temas propostos, assim como descentralizar acções, indo ao encontro de diferentes públicos e locais

O Frei Geraldo Coelho Dias falou de Santa Senhorinha de Basto
O Frei Geraldo Coelho Dias falou de Santa Senhorinha de Basto
Esta iniciativa, prontamente acolhida pelo Município de Cabeceiras de Basto, de grande interesse, dada a qualidade dos palestrantes e a pertinência dos trabalhos apresentados enquadram-se na política cultural do Município e apresenta-se como um contributo importante para a descoberta da nossa história, da nossa sociedade e da nossa gente.

Sta Senhorinha de Basto

Foram vários os temas abordados ao longo da jornada, tais como Escrita conventual feminina: entre autoridade e obediência», por Isabel Morujão [Professoa Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade do Porto] ; «Apolo atrás da grade. A Marquesinha de Alorna e a aprendizagem da liberdade na prisão conventual», por Maria Luísa Malato [Professora Agregada da Faculdade de Letras do Porto]; «A compasso dos prelados», por Ivone Paz Soares [Docente do Conservatório de Música Caloute Gulbenkian de Braga]; «Raios de Sol entre claustros: notas breves sobre a fundação da Casa de Saúde da Idanha», por Maria Helena Alvim [Investigadora na Área da História Feminina]; «Olhares, lugares e vivências no Mosteiro das Clarissas, Vila Nova de Famalicão», por Adília Fernandes e Odete Paiva [Investigadoras do Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade da Universidade do Porto]; «Manifestações de santidade feminina no Convento de Nossa Senhora da Conceição», por Ricardo Silva [Investigador na Área da Historiografia Religiosa]; «Caminhos de eternidade», por Zília Osório de Castro [Professora Catedrática do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa].
Mas foi Santa Senhorinha de Basto ilustre figura feminina que aqui se destacou. O trabalho apresentado pelo Professor Frei Geraldo Coelho Dias, distinto investigador, realçou os aspectos relativos à vida e ao culto de Santa Senhorinha, que conheceu altos momentos, particularmente durante a 1º Dinastia.
Recorde-se que Santa Senhorinha de Basto, nasceu em território português, perto de Vieira do Minho, no Século X. Foi considerada monja e abadessa beneditina pelos monges da antiga «Congregação dos Monges Negros de S. Bento do reino de Portugal», que como tal a representaram e assim difundiram o seu culto. Uma vez fixada na actual freguesia de Basto, deste concelho, ficou conhecida pela «poderosa intercessão» e pelos «extraordinários milagres».
D. Sancho I foi seu devoto peregrino. D. Pedro I também honrou esta venerável mulher, invocada na cura das maleitas e transformada num importante centro de devoção popular, arrastando ao seu túmulo grandes peregrinações e romeiros, durante a Idade Média.
«Santa Senhorinha, é por isso, uma distinta figura ligada para sempre a esta terra de Basto. Ao lembrá-la ficamos a conhecê-la melhor, o que por si só representa um aspecto positivo deste encontro e uma mais valia para desvendar a história local.» referiu a propósito a Vereadora da Cultura, Profª Stela Monteiro, aquando do encerramento desta jornada.
Outros vultos se destacaram ao longo do dia, através da abordagem de pequenas histórias de mulheres com história, ou com histórias, que de alguma maneira mereceram um registo documentado, quer pela vivência, ou por serem simplesmente exemplos no retrato de uma época.
A finalizar, esta autarca, reiterou a disponibilidade da Câmara Municipal, em continuar a colaborar, dentro das suas possibilidades, na realização deste tipo de iniciativas, que são uma das vertentes da política cultural que vem sendo implementada pelo Município nos últimos anos, com o intuito de dar a conhecer, valorizar e promover o património local, as nossas gentes e o nosso percurso ao longo da história.

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