Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 24-03-2008

SECÇÃO: Golpe de vista

É uma maçada!

Se em casa grita, berra, esperneia, insulta, pontapeia, etc., por que não há-de poder fazê-lo na Escola? Se em casa não limpa, não arruma ou não executa qualquer outra tarefa doméstica, por que há-de ter de fazê-lo na Escola? Se em casa come no sofá ou no quarto, atira com a peça de fruta, suja o chão, etc., por que não há-de poder fazê-lo no refeitório da Escola? Se em casa abre a porta a pontapé, atira com a mochila, o casaco e as sapatilhas, salta para cima da poltrona ou da cama, por que não há-de poder fazê-lo na Escola? Se em casa fala ao telemóvel quando está à mesa, come de boca aberta, masca chiclets enquanto “responde” aos pais, por que não há-de poder fazê-lo na Escola? Se não cumprimenta ninguém quando chega a casa, por que há-de ter de o fazer na Escola?
É verdade que este tipo de comportamentos não são a regra geral, mas ao contrário do que seria normal, ou seja, um ou outro caso de excepção, até para confirmar a regra, o certo é que casos destes são já muitos para falarmos de excepções.
Tenho para comigo que o problema da indisciplina, violência, má-criação, desrespeito pelos demais e outras atitudes que considero desviantes, não são culpa das crianças e jovens que os praticam, não são culpa da escola que os acolhe, mas sim dos seus pais que, em meu entender, não foram e continuam a não ser capazes de lhes dar a educação necessária.
A Escola não deve ser tanto um espaço de educação, mas, muito mais, um espaço de instrução. A educação deve ser dada pelos pais ou encarregados de educação, enquanto que a escola deverá ser um espaço privilegiado para a aprendizagem, a instrução, a formação e a obtenção do conhecimento e do saber.
Sei que esta minha visão não é partilhada por muitos, mas, é a minha opinião, que lhe hei-de eu fazer? E até que me provem o contrário é isto que eu penso. E penso também que uma criança se educa desde o berço. Não é por acaso que se costuma dizer, quando se está em presença de uma pessoa mal-educada, que ela não teve berço. Custa-me ainda ouvir «oh! deixa lá, coitadinho, ele não entende!» quando uma criança de tenra idade diz ou faz qualquer patetice. Com efeito, as criancinhas, desde muito cedo que fazem chantagem com os adultos. Corrigir é preciso!
A construção do “edifício educativo” deve começar muito cedo. Se assim não for, mais tarde essa missão será muito mais difícil se não mesmo impossível.
Está hoje na ordem do dia a discussão sobre os problemas da violência e indisciplina na Escola. A verdade é que ninguém se entende. Se uns acham que é preciso mais exigência, mais disciplina, mais rigor, mais respeito, mais responsabilidade, logo vêm outros defender que não, porque essa atitude traumatizará os meninos e as meninas.
Mas, digam-me: Com que direito um só aluno há-de poder por em alvoroço uma turma inteira? Com que direito um ou dois alunos hão-de prejudicar todos os outros? Concordo que devemos promover a inclusão e a não discriminação, mas, será que estamos no caminho certo?
A educação deve ser em primeiro e último lugar, tarefa dos pais.
Acontece, porém, que educar dá muita canseira. Dá muito trabalho, obriga a gastar muitas energias. E hoje é muito mais fácil “comprar” os filhos com guloseimas, brinquedos, telemóveis, playstations, dinheiro e sei lá mais o quê, do que ter que dizer não, contrariar ou ensinar os melhores princípios e valores.
Enfim! Educar é uma maçada!
Para onde iremos nós?!!

A.C.

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