Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 24-03-2008

SECÇÃO: Opinião

Padre Domingos Pereira:- Barrosão que une três concelhos

O Jornal Ecos de Basto, de 3 do corrente, publicou o V capítulo de uma série de artigos da autoria do colaborador F. Victor Magalhães, sobre o Padre Domingos Pereira. Quem foi este padre e que sugestão propõe este conhecido jornalista?
O Padre Domingos Pereira nasceu em Vilarinho de Negrões, concelho de Montalegre, em 9 de Agosto de 1862 e faleceu no lugar da Raposeira, numa casa brasonada, que pertenceu ao Morgado do Telhado e que é hoje propriedade do seu filho mais novo: Carlos Fraga Lopes Pereira, em 25/11/1945. Acerca desta figura de sacerdote ousado e destemido que se filiou no Partido Regenerador, contra a vontade de seu tio Padre João Albino G. Carreira, abade de Refojos, ligado ao Partido Progressista, fala o vol. 21 da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e fala o nosso I volume (pp. 459460) do Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses. Foi Pároco da freguesia de Outeiro (Cab. de Basto) e prof. de Português, Latim, Geografia e História no liceu municipal que foi extinto pela reforma do ensino promulgada em 1908. Sempre que os Regeneradores se encontravam no poder, era ele nomeado administrador do seu concelho. Numa dada eleição foi nomeado para administrador do concelho de Fafe. E aí obteve a vitória para os Regeneradores. Negou-se a aderir à República e alistou-se na franja de apoiantes de Paiva Couceiro, chefiando o movimento que se constituiu em Cabeceiras de Basto. Proclamou a monarquia, nomeou autoridades e distribuiu armamento que recebeu do Movimento Nacional. Malograda a tentativa de Paiva Couceiro, com a derrota dos monárquicos, em Chaves, teve de abandonar o País e refugiou-se em Espanha. Um tribunal popular constituído em Cabeceiras, condenou-o a 20 anos de penitenciária. De Espanha partiu com os seus apoiantes para o Brasil e por lá os deixou, empregados, regressando ele a Espanha, onde continuou a conspirar. Teve papel relevante na proclamação da «Monarquia do Norte», em Janeiro de 1919 e combateu nos embates de Mirandela e de Vila Real. Voltaria a refugiar-se em Espanha e um Tribunal militar do Porto voltaria a condená-lo a mais 20 anos de cadeia. Contudo, em 1925, entrou em segredo no País e conseguiu viver os últimos anos na Casa da Raposeira, onde ainda hoje pode ver-se um esconderijo entre paredes.
O Ecos de Basto publicou, agora, uma série de artigos sobre este padre Barrosão que deixou obras escritas e que fez história, por razões políticas. Em 2012 completam-se 150 anos do seu nascimento e um século do «Levantamento de Julho e da ocupação do concelho nos dias seguintes por um Terço do exército português, apoiado por colunas de civis maçónicos e jacobinos que foram semeando o terror entre o povo apodado de feroz e cruel…»
Victor Magalhães escreve no Ecos de Basto: «é ocasião azada para a realização de uma grande homenagem não só à figura do padre mas também ao povo daquela época. A edilidade de Montalegre, por ser o local onde nasceu, a de Fafe, onde, por várias vezes, exerceu as funções de administrador do concelho, deverão ser chamadas à sua quota parte de responsabilidade. A exposição que a Câmara Cabeceirense apresentou há alguns anos, pode e deve ser o foco de irradiação de maior fôlego. Também me parece que o nome do Padre Domingos Pereira deveria ter na toponímia o destaque que merece».
Acho muito oportuna esta proposta sobre uma personalidade que nos princípios do séc. XX e também na viragem da monarquia para o republicanismo, teve papel preponderante na sociedade portuguesa. As três autarquias intervenientes neste processo: Montalegre, Cabeceiras de Basto e Fafe (todas com autarcas socialistas) poderiam acertar pormenores para que esta sugestão-proposta de F. Victor Magalhães possa concretizar-se). Sugere ele que se redija uma Biografia sobre o conhecido Padre Domingos. Apela o ilustre Colaborador do Ecos de Basto a que alguém possa indicar onde ter acesso ao livro «As guerrilhas do Padre Domingos», da autoria de Joaquim Leitão, o biógrafo das incursões Monárquicas.
Faltam ainda 4 anos para os 150 anos do seu nascimento. Talvez o autor da sugestão, se convidado pelas três Câmaras, possa proceder à investigação. Se não puder, sugerimos um nome a convidar: Dr. Artur Coimbra, natural do concelho de Montalegre e quadro dirigente da autarquia fafense, com formação académica (licenciado em História e Mestre em História das Populações), com larguíssima experiência como Autor e investigador. Seria um bonito gesto em prol da cultura Portuguesa.

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