Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 24-03-2008

SECÇÃO: Opinião

PARÓQUIA: INSTITUIÇÃO QUE PEDE RENOVAÇÃO

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Vou partir da paróquia para que a recomendação do Papa Bento XVI seja melhor compreendida.
A paróquia, que é ainda uma instituição importante na Igreja, tornou-se uma realidade muito diferenciada e complexa. No meio urbano, ela mostra que falar de limites de território é estar fora do tempo. Nos meios de transição e mobilidade, por razões de trabalho e outras, ela perde identidade. Nos meios rurais desertificados, é uma memória sem sonhos nem projectos. Esta referência faz todo o sentido, porque tenho percorrido a região transmontana e contactado diversas pessoas residentes em lugares longínquos da sede da sua paróquia, as quais afirmam não conhecer o pároco da sua freguesia.
Esta situação deve-se ao facto de nos dias de hoje um único sacerdote ter a seu cargo três ou mais freguesias, por isso não pode transmitir a missão pastoral a todos os cristãos. Há dezenas de anos, ainda eu era jovem, as dioceses com muitos padres criavam paróquias para os ocupar. Não se pensava em ajudar outras que os não tinham. Estas paróquias sem projecto nasciam com o destino traçado de serem o que outras sempre foram, com alguma cosmética de imaginação e cheiro a juventude. Mas por vezes já nasceram velhas.
As últimas sondagens à prática dominical mostram que mesmo em zonas urbanas, a Igreja da paróquia já não é pólo de atracção para alguns paroquianos ainda residentes. Esta prática dominical para a juventude já não existe. Exigências Canónicas e planos pastorais da Diocese passam até agora pelas paróquias. Porém, em muitos casos, não passam de facto. A ferrugem do tempo sedimentou formas de individualismo pastoral, hoje sem qualquer futuro.
D. Jorge Ortiga, arcebispo primaz de Braga, afirmou recentemente no Santuário de Fátima, que a nomeação de novos bispos é sinal de renovação da Igreja. Como todos sabem, a espinha dorsal da religião cristã são os padres, por isso, é neste campo que deve iniciar a renovação desejada. Para isso é necessário incentivar os jovens candidatos ao seminário, dando-lhes apoio moral e ajudando-os financeiramente, para que eles sintam orgulho e motivação para seguir a vida pastoral.
Hoje, por falta de padres, muitas paróquias são pouco mais que instâncias canónicas obrigatórias para actos de jurisdição paroquial: baptizados, comunhões, confirmações, processos de casamento e funerais. O resto pouco conta.
Em meu entender, a Igreja está, em nome do Deus que acredita e da Mensagem que Lhe foi confiada, ao serviço das pessoas, construindo comunidades, animadas pela graça de os seus membros se sentirem uma família nova de filhos e irmãos.
Quem procura construir coisa que valha a pena não dispensa um projecto, gente que o entenda e o leve a bom termo, material de qualidade para que o que se constrói hoje não desabe amanhã.
Renovar não é matar, mas também não é cedência, de modo habitual e acrítico, a situações que empatam e impedem uma renovação necessária e urgente.
Destaco: o jovem pároco Francisco Medeiros, de Cabeceiras de Basto, que se encontrava colocado no concelho de Terras de Bouro e foi transferido, em Setembro de 2007, para o concelho de Celorico de Basto, acumulando funções nas freguesias de Fervença, Moreira do Castelo e Codeçoso. Os meus votos de felicidade e sucesso para este jovem padre.

Por: Manuel Sousa

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