Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 03-03-2008

SECÇÃO: Opinião

HISTÓRIAS DE ÁFRICA (4)

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Vai há quarenta e oito anos que eu e mais cinco companheiros, visitamos o Parque Nacional de Gorongosa – Moçambique.
Este parque é uma reserva natural onde milhares de animais selvagens de muitas espécies, vivem em perfeita comunhão com a natureza. Situado no Distrito de Manica e Sofala a 150 kms da cidade da Beira, era ao tempo servido por uma estrada de terra batida que pouco melhor era que uma picada.
Chegamos à noitinha cobertos de pó depois de termos percorrido cerca de 250 kms. Após o banho foi-nos servido o jantar no Restaurante do parque e ficamos até às tantas à conversa com o encarregado e chefe dos guardas sr. Rodrigues que por sinal era conhecido do Pimentel um elemento do nosso grupo. Logo aí foi-nos indicado quais os Rondáveis onde cada um devia pernoitar e escalado o guarda-guia africano que nos ia conduzir pelas muitas picadas da reserva.
Como é sabido cada espécie tem o seu habitat o seu território que normalmente só é invadido pelos predadores.
Saímos ao romper do dia pois é nessa altura que os animais estão fora à procura de alimentos. Bastava dizer ao guia quais os animais que pretendíamos ver para logo nos conduzir ao sítio certo.
Depois de ter visto muitas espécies, boi-cavalo, zebras, gazelas chomas, pacaças impalas, macacos e muitas outras, fomos forçados a parar no meio da picada onde se encontravam três grandes elefantes um deles só com um dente. Os animais que se mostravam zangados com a nossa presença tinham a tromba em riste e as orelhas levantadas e como a nossa viatura era uma carrinha de caixa aberta, logo me veio à memória um caso que tinha acontecido a um Indiano que viajava de Tete para a Beira e que teve de parar na estrada por causa de uma manada de elefantes. Um dos animais curioso ao rondar a carrinha pôs a tromba em cima do capô e como este vinha muito quente o animal deu um guincho de dor e acto contínuo vira a carrinha de pantanas e começa a pisá-la com as patas, valeu ao Indiano a sua destreza para trepar para cima de uma árvore de bom porte a aí permaneceu até chegar socorro. Ficamos calados como petos e nada de esboçar gestos.
Até que ao longe se ouviu o roncar de um motor e no horizonte surge um Land Rover que lentamente se aproxima muito perto dos paquidermes e da viatura sai o sr. Rodrigues que vai junto dos animais e lhes fala do seguinte modo; olá amigos, estes senhores são meus conhecidos e vocês toca a andar que ninguém vos faz mal. Os animais de imediato baixaram as trombas e as orelhas e calmamente se fizeram ao mato.
Ante a nossa admiração o sr. Rodrigues explicou-nos que os elefantes são inteligentes e ao ver estranhos julgam que se trata de caçadores furtivos e logo se enfurecem ficando calmos ao ver o chefe Rodrigues que segundo nos disse já ali prestava serviço há dezoito anos e que o elefante que só tinha um dentre o havia perdido numa luta que travou com outro elefante.
Findo este episódio; prosseguimos caminho ao encontro dos leões. Que beleza!... Lá estavam sete lindos exemplares, quatro leoas e três leões de grande juba. As feras não faziam caso dos mirones que dentro dos seus carros tiravam fotografias de todos os ângulos, uma das leoas estava esparramada no chão de barriga para baixo e cauda muito estendida pelo chão fora e foi nessa posição que um estúpido Rodesiano investe com o seu carro contra o animal com o intuito de lhe pisar o rabo não o tendo conseguido devido à destreza do felino e de seguida rapidamente se pôs em fuga pois sabia que podia ser detido devido ao acto que praticou porque de forma alguma se podia molestar os animais e nós porque como já foi dito a nossa viatura era de caixa aberta obviamente que ficamos assustados.
Finda a visita, regressamos a Vila de Manica deslumbrados com um espectáculo tão belo que a natureza nos ofereceu.


Na edição anterior o último parágrafo da crónica Histórias de África (3) não saiu completo. Ecos de Basto penaliza-se pelo lapso e faz a rectificação nesta edição

"Esta batalha deu-se em 1896 e nela participaram 96 militares portugueses contra 5.000 Bátuas, sendo um dos portugueses ao que consta o alferes Carvalho natural de Cavez e com afinidades à casa do Souto. No mesmo dia e no mesmo local, foi ainda feita uma reconstituição da batalha com a presença do Presidente da República."




Por: Alexandre Teixeira

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