Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 03-03-2008

SECÇÃO: Golpe de vista

É lixada!

Não é muito visível a olho nu, mas há por aí – e andam por aí – um conjunto de pessoas que, aproveitando as novas tecnologias da informação, têm produzido alguns escritos e ditos que demonstram uma terrível dor de cotovelo.
Não são só os protagonistas da escrita, mas também, e sobretudo, muitos daqueles que tendo acesso aos referidos escritos, não se coíbem em fazer comentários, sejam eles de índole política, económica, social, educativa, urbanística, rural, desportiva, científica e tudo o mais. Escrevem e publicam sobre tudo e sobre todos. São efectivamente umas sumidades que espantam pela negativa quanto à qualidade do seu saber e/ou conhecimento.
Deliram com propostas obsoletas, anormais, viciadas, destemperadas, desequilibradas.
Querem – ou talvez não! – que o tempo volte para trás.
Por que carga de água deveriam os cabeceirenses continuar a viver como na idade média ou, pior ainda, como na pré-história?
Se se faz uma estrada, ah que d’el-rei que a estrada rasga os montes, corta o prado, arrasa os campos, etc., etc. Bons eram os caminhos antigos estreitos, de terra batida ou empedrado, defendem. Se se leva a água à casa das pessoas, por que diabo há-de a água ser tão cara, tão pouca, tão sem sabor, e por aí adiante. Bons eram os tempos em que íamos todos à fonte do fundo da aldeia, vociferam. Se se montou uma rede complexa de saneamento, raios os partam que cobram cobras e lagartos pelo transporte e tratamento das águas porcas. Bons eram os tempos em que íamos todos “a campo”, ou pela manhãzinha despejávamos o penico na ruma do quinteiro lá de casa, clamam. Se se constroem casas na aldeia ou na vila, que porcaria de betão que me tira a vista da torre, do monte, do vale, do jardim, do rio, do caminho, etc., lamentam. Bons, defendem com unhas e dentes, eram os tempos em que as casas, situadas nos mais isolados lugares, com uma ou duas divisões, onde pais e filhos dividiam o mesmo quarto, quantas vezes a mesma cama e o frio entrava por todo o lado e o único conforto era a lareira acesa.
Meus caros, não defendam para os outros aquilo que não querem para vós mesmos. Não esperem que Cabeceiras de Basto ande para trás, para que depois se possam vir armar em salvadores da pátria. O povo não é estúpido e a técnica do “quanto pior melhor” já não pega. Arrepiem caminho, trabalhem, lutem, façam qualquer coisa de útil. Não basta dizer que os cabeceirenses podem contar convosco. Os cabeceirenses querem naturalmente saber do que são capazes. Quais as ideias, os projectos, os caminhos que querem prosseguir. E querem sobretudo ver, mais do que palavras, acções concretas.
Deixem-se de tretas. Cabeceiras de Basto não será nunca um espaço museológico pré-histórico que uns quantos da cidade, de máquina fotográfica ou câmara de filmar ao ombro, vêm admirar em excursões de fim-de-semana organizadas por vossas excelências.
Aquilo que se percebe em muitos dos escritos a que me referi antes é verdadeiramente uma grande dor de cotovelo, porque, afinal, em Cabeceiras de Basto, seja nas vilas, nas aldeias, no campo ou na serra, o desenvolvimento é irreversível.
E a dor de cotovelo é lixada, porra!


A. C.

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