Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 11-02-2008

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (84)

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O NOVO AEROPORTO

Para quem vier a ler este texto, daqui a cinquenta ou cem anos, penso que terá muito interesse deixá-lo, desde já, localizado no tempo. Estou a escrevê-lo no dia treze de Dezembro de 2007, é quarta-feira, está um lindo dia de sol e festeja-se hoje o dia de Santa Luzia.
Nesta data, a cidade de Lisboa tem um aeroporto internacional, o seu aeroporto, que está localizado na Portela de Sacavém. O nome deste lugar deu origem ao nome do aeroporto, chama-se o aeroporto da Portela. Foi inaugurado a quinze de Outubro de 1942. Não será muito difícil imaginar qual seria o volume de tráfego aéreo, naqueles distantes anos, da década de quarenta do século passado.
Os aviões eram poucos e pequenos, e o aeroporto de Lisboa era um grande aeroporto para a época. Agora não. Entretanto a cidade cresceu, e actualmente confunde-se o aeroporto com o tecido urbano da capital. Eu próprio já senti um razoável calafrio, quando, no regresso da Rússia, a bordo de um Ilyushin da Aeroflot, este, vindo de norte para sul, resolveu fazer a inversão da rota sobre os edifícios das Amoreiras e o Parque Eduardo VII, e vi a asa, do meu lado, quase a bater num dos prédios. Confesso que foi o meu maior susto em viagens de avião.
O aeroporto de Lisboa não poderá receber nunca um Airbus A380. Sempre me causou uma grande confusão, ouvir pessoas, como o Dr. João Soares, quando na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a defender a manutenção do aeroporto da Portela como solução definitiva para o tráfego aéreo de e para a capital.
Politicas de ocasião à parte, sou daqueles que pensam que um grande aeroporto internacional deverá estar localizado em sítio que não colida com o desenvolvimento urbano da cidade que serve.
Custa-me mesmo muito abordar este assunto sob o ponto de vista anedótico. Mas, e depois de vários avanços e recuos, não consigo resistir à tentação de exprimir também a minha opinião quanto ao desenvolvimento do projecto.
Eu não sei se a opção seria a melhor se a pior. O que sei é que, só quando os órgãos de decisão se preparavam para dar por assumido o local da construção, com a opção Ota a avançar por diante, e já com muitos milhares de Euros gastos em estudos e projectos, é que apareceram os patrões da CIP (Confederação da Indústria Portuguesa), a encomendar e a pagar, do seu bolso, um estudo que interessa ao Governo (Estado), propondo a solução Alcochete.
Logo de seguida vem a Associação Comercial do Porto, que encomenda e paga do seu bolso, um estudo que prova que a melhor solução é a Portela mais o Montijo. A Associação Comercial do Porto paga do seu bolso, o estudo de um projecto que interessa ao Governo (Estado), e se localiza e servirá a área da grande Lisboa. A Associação Comercial do Porto é uma associação de comerciantes do Porto, e o Porto fica a mais de trezentos quilómetros de Lisboa?!
Há vozes que falam numa terceira entidade, a Associação dos Fanqueiros de Silves, que defende a localização no Poceirão e se propõe pagar e apresentar um estudo sobre esse local. Silves fica a mais de duzentos quilómetros do Poceirão.
Antes que apareça a Associação de Criadores de Gado Asinino de Carrapatelo do Douro a propor-se também para financiar, isto é, pagar do seu bolso e apresentar um estudo sobre a localização do novo aeroporto no perímetro militar de Tancos, parece-me que nós, aqui neste recanto do Verde Minho, não podemos deixar passar esta oportunidade sem apresentarmos também o nosso próprio estudo. Temos que fazer alguma coisa.
Neste sentido, e imbuído do mais profundo e patriótico espírito de cooperação, já contactei o Presidente da Direcção da Associação Bombos da Orada, para que esta prestigiada Associação não se deixe ficar para trás e apresente, também ela, e em tempo útil, e pagando do seu bolso, um estudo sobre a melhor localização do novo aeroporto internacional de Lisboa. A final de contas, estamos mais próximos de Lisboa do que a Associação de Criadores de Gado Asinino de Carrapatelo do Douro, logo, e por via disso, temos maiores e mais graves responsabilidades.
Para além de dar opinião sobre a pertinência da nossa participação em tais estudos e projectos, propus-me dar também parecer quanto à melhor localização. Para mim, e atendendo a um elevado conjunto de factores, tais como: as características do terreno, solos planos e arenosos; a questão do impacte ambiental, falta de sobreiros; a localização propriamente dita, fica a meio caminho entre Lisboa e Setúbal, que é, como toda a gente sabe, a área mais densamente povoada de todo o território nacional continental. Este local é, como parece desde logo evidente, a Coina.
Melhor do que Alcochete, melhor do que a Portela mais o Montijo, melhor do que o Poceirão, melhor do que Tancos, só pode ser a Coina.
A Coina é o meu local de eleição. Será um enorme motivo de orgulho para todos os taxistas, que tão preocupados se têm mostrado com a saída do aeroporto da Portela para a Ota. Passarão a transportar, isto é, a levar e a trazer, passageiros de todas as nacionalidades, de e para a Coina.
Por outro lado, não deixará de ser interessante, sobretudo para todos aqueles que entendem a língua de Camões, sempre que se deslocam no interior de um qualquer táxi, ouvir as meninas do call centre da estação de rádio táxis de Lisboa e de Setúbal a repetir sem descanso: “táxi à Coina, quem é que está mais próximo da Coina, precisa-se urgentemente de um taxista na Coina!...”.
Tão cedo quanto a Associação de Bombos da Orada aceite o meu desafio, proporei ao Registo Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o registo provisório do nome do novo aeroporto internacional que serve a cidade de Lisboa, como sendo da minha autoria, e se denominará: “Aeroporto Internacional da Coina”.

Por: José Costa Oliveira

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