Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 11-02-2008

SECÇÃO: Crónica

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Renascimento das Feiras Tradicionais
A Feira Tradicional de Cavez

Ultimamente tenho visitado alguns locais de Cabeceiras e até de um ou outro concelho (por exemplo Caminha) onde se realizam feiras medievais ou feiras tradicionais.
Há já alguns anos que estas renasceram das cinzas sob a responsabilidade dos professores, das crianças, encarregados de educação e da população em geral. Também contam com o apoio logístico das juntas de freguesia onde se dá o evento e das Câmaras Municipais, quando necessário. O certo é que tem resultado muito bem, senão vejamos o exemplo de Cavez.
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Nesta última feira tradicional que se realizou, organizada pela Escola de Cavez, que este ano engloba os alunos de Gondiães e Vilar de Cunhas. Como é sabido, Cavez já não é agrupamento por conseguinte ficou só com os alunos destas duas freguesias.
Esta feira tradicional, que se vem realizando desde há seis anos, faz uma recriação ao pormenor, de como era a feira na época medieval! Foi sempre no mesmo local e sempre com muito sucesso! O local escolhido para este reviver de costumes e tradições não poderia ser mais apropriado! Não poderia ser outro senão no Centro de Cavez, mais precisamente no Largo do Souto, também conhecido por Souto da Aldeia! É um local muito bonito, com casas em pedra, com uma talha maravilhosa! Fica junto à casa do Dr. Duarte Nuno de Vasconcelos. Outras existem lá mas devo dizer que não sei a quem pertencem.
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De qualquer forma, repito, o local não poderia ser mais apropriado, tem tudo a ver com os tempos recuados dos nossos antepassados! Consegue transportar-nos para tempos longínquos! Realmente a comunidade escolar e a população local conseguiram fazer-nos voltar atrás no tempo com os costumes, os trajes, as cantigas e especialmente as vendas.
Ali se vendem desde o raminho da salsa, ao feijão, aos chouriços de carne ou de sangue e às alheiras, batatas, castanhas, mel, hortaliças, alfaces, nozes, fruta da época, pão milho cozido, pão de trigo recheado de chouriço e carne entremeada, cozidos em forno de lenha, tigelas de marmelada, e jeropiga. Esta última penso que é uma bebida feita de vinho, aguardente e açúcar, bastante adocicada mas agradável, mas isso fica para os entendidos na matéria! Também lá se pôde ver a venda de um porco negro que parecia um javali e chinos (não chineses, naturalmente)! Havia outras vendas tais como tendas de roupa, venda de café feito na velhinha chocolateira (com certeza o nome advém-lhe de servir para preparar o chocolate quente, mas quem chocolate não tinha contentava-se com o cafezinho de saco), ali em cima da fogueira, que emprestava ao local odores especiais, móveis antigos e até mesmo ouro se encontrava à venda. Agora já não há troca directa e o Euro comanda a vida.
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Desde o começo desta iniciativa que esta feira se realiza aos domingos e da parte da manhã, depois da missa das nove horas. Isso permite que todos os intervenientes, os professores, as crianças, os encarregados de educação e toda a população em geral, possa participar nesta tradição de costumes tão bela, sem prejuízo de faltar ao acto dominical.
Outro aspecto que foi muito agradável foi poder assistir-se ao vivo à desfolhada que o Rancho e os populares de Cavez protagonizaram acompanhados de cantigas alegres ao som das concertinas, cavaquinhos e violas.
E até o Seringador não foi esquecido, livro já do tempo do meu falecido avô, papel que foi muito bem desempenhado pelo professor José Borges Machado, um amante da sua terra e um dinamizador de actividades diversas sempre a pensar nos outros. Gostei de vê-lo a “tentar” tirar fotografias como antigamente dentro de um caixote mas, ou a cabeça não entrava ou a máquina não condizia com o tripé. Mesmo assim ele lá conseguiu tirar fotografias aos pequenos e adultos (a mim também me tocou ficar no boneco), fingindo que se punha a espreitar dentro daquele cubículo! Muito habilidoso o senhor professor Borges!
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Todos os professores estiveram à altura; os professores Serrão, o Albino Barroso, a Fátima Alves, de Gondiães, o Eduardo, o José Manuel Borges, a Nininha, o Tó de Rabiçais e a professora Glória, entre outros.
Por aquilo que me foi dado ver penso que toda a gente fez bons negócios. E também me tocou a mim vir carregada com marmelada, nozes, jeropiga e pão com chouriço (espero que a minha médica não leia esta crónica).
Tudo esteve muito bom! Continuem que estão no bom caminho! Se eu puder e se Deus me deixar, continuarei a registar com a minha objectiva o renovar desta tradição!
Antigamente a feira realizava-se todos os dias 23 de cada mês, mas as facilidades de transporte levaram a que, pouco a pouco, as gentes das freguesias e lugares vizinhos se desinteressassem da feira e esta acabaria por desaparecer e nem S. Bartolomeu lhe pôde valer. Agora, qual Fénix renascida das próprias cinzas, ganha vida uma vez por ano.
Cavez e as suas gentes estão de parabéns!
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fernandacarneiro52@hotmail.com

Por: Fernanda Carneiro

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