Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-12-2007

SECÇÃO: Opinião

GLOBALIZAÇÃO E (IN)FORMAÇÃO

De uma forma geral a sociedade actual definiu os tempos de hoje como a era da (in)formação. A quantidade e a acessibilidade à (in)formação, quer pela diminuição de custos ou pelas facilidades tecnológicas, permite que milhões de pessoas, sem distinção de ordem social, económica ou de outra índole, possam aceder a infinitas fontes de informação. Este fenómeno moderno, conhecido por democratização do conhecimento, é em boa medida o responsável pela queda de antigos processos que controlavam as opções de desenvolvimento dos diferentes territórios, e assim mesmo, serviu de catalisador para impulsionar definitivamente, em todas as ordens, os processos de descentralização.
Hoje, mais do que nunca, graças à informação e aos novos canais de comunicação, as opções de desenvolvimento dependem sobretudo de nós mesmos. Aliás, também é certo que a informação não tem nenhum sentido se não estiver dirigida pela formação, entre outras razões, porque o volume de informações, a velocidade a que estas se cruzam e a saturação que produzem nos canais de comunicação tendem a produzir ruídos que dificultam a compreensão das mensagens.
A formação deve ser encarada como o mecanismo que nos ensina a usar as novas técnicas de informação e comunicação e a entender, assimilar e adaptar as informações exteriores, desde uma nova perspectiva marcada essencialmente pela troca. A formação como instrumento básico para a promoção do desenvolvimento local responde a dois tipos de necessidades;

a) por um lado, as mudanças e novidades produzidos no exterior que são alheios às dinâmicas organizacionais no mundo rural tradicional ou industrializado;

b) por outro lado, as próprias necessidades internas das estruturas agrárias tradicionais, e as de industrialização primária, que têm de adaptar-se às modificações dos mercados exteriores.

Assim mesmo, a formação deverá entender-se como uma forma de aproximação ou como facilitadora da aquisição de conhecimentos. Engloba a aquisição e a aplicação de novas tecnologias, novas competências (saberes, saberes-fazer sociais e relacionais e saberes-fazer técnicos), atitudes e valores essenciais para viver num Mundo em constante mudança. Aprender torna-se portanto no processo de preparação para saber adaptar-se a novas situações.
A formação profissional torna-se então num valioso instrumento político que contribui para a concretização de uma grande variedade de objectivos/metas económicos e sociais, em particular, para a manutenção de uma elevada taxa de emprego, a coesão social e a manutenção da competitividade, factores que servem de base a um desenvolvimento económico e social sustentáveis. No entanto, para que a formação profissional contribua para a boa concretização de tais objectivos, o quadro político que define os seus propósitos, a sua organização e conteúdo tem de ser eficaz. Esta tipologia de acções tem sido financiada por sucessivos quadros políticos criados a nível nacional e transnacional, que promoveram a realização de acções de diferentes carácter com o objectivo de identificar temas de interesse comum, assumindo-se também como ponto de referência importante para as políticas nacionais de formação profissional. Estas, por seu lado, contribuíram com o apoio e o contexto necessários à aplicação das medidas de cooperação, apresentando projectos-pilotos e promovendo o intercâmbio de cidadãos e troca de informações através de uma vasta gama de programas.
No entanto, o ritmo das mudanças económicas e sociais, estimulado pelo progresso tecnológico e moldado pelas mudanças demográficas, aumentou consideravelmente. Os progressos de globalização tornaram cada vez mais célere e intensa a concorrência entre os produtores, reforçada pelo Mercado Único e pela união Monetária. A nível comparativo, as vantagens dos produtores europeus residem, cada vez mais, na possibilidade, de contratar uma mão-de-obra com elevados níveis de formação, capaz de se adaptar às mudanças no trabalho e desenvolver novos serviços e produtos. A actividade económica substituiu as indústrias básicas por produtos e serviços mais sofisticados. Diminuíram as oportunidades de emprego dos trabalhadores manuais não qualificados e aumentaram as oportunidades dos trabalhadores não manuais, sobretudo em empregos que requerem capacidade de raciocínio e gestão, bem como know-how técnico. A queda da taxa de natalidade e o aumento da esperança de vida levaram ao envelhecimento da mão-de-obra. Ao mesmo tempo, um número crescente de mulheres pretende seguir, e legitimamente, uma carreira, profissional, sendo geralmente aceite nesta sociedade que tanto o Homem como a Mulher têm direito a um elevado nível de educação e formação profissional e à oportunidade de desenvolver as suas capacidades e seguir uma carreira satisfatória.
Tais mudanças vieram beneficiar um nível mais elevado de formação geral, apresentado como factor determinante para o desempenho das tarefas propostas e a apreensão de novas competências. Assim, o grau de instrução influencia, cada vez mais, as perspectivas de carreira dos indivíduos e as suas oportunidades na vida. A natureza destas mudanças é rápida e de grande alcance. Para os sistemas de educação e formação profissional, esta facto representa um sério desafio que terá de ser enfrentado de forma a que os sistemas possam preparar os indivíduos não só para responder às necessidades crescentes de uma economia e sociedade baseadas no conhecimento, mas também para que possam decidir o seu futuro de forma consciente, em lugar de se deixarem simplesmente ultrapassar pelos acontecimentos.

António Sousa

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