Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-12-2007

SECÇÃO: Opinião

PADRE DOMINGOS, RECORDADO (III)

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Falemos agora de outro livro que interessa à história de Cabeceiras, Celorico e do Padre Domingos e que faz referência a outras figuras da nossa região, implicadas na 2ª Incursão Monárquica. Intitula-se “Um Delito de Opinião” e foi escrita pelo Padre José de Magalhães Alves Costa (1890-1948), natural de Ribas (Celorico), que foi pároco nesta freguesia e posteriormente director do “Diário do Minho”. Professor dos Seminários Bracarenses, colaborou em jornais e revistas e publicou 3 livros, tendo deixado o manuscrito de “Um Delito de Opinião”, elaborado sob a forma de apontamentos a partir de 26 de Outubro de 1912 na Penitenciária de Coimbra. Este livro mereceu ser editado em 1981 pela fábrica de Igreja Paroquial de Ribas e descreve o percurso do autor, jovem seminarista que nas férias grandes de 1912 se viu envolvido no episódio da 2ª Incursão Monárquica que levou à Reimplantação da Monarquia em Cabeceiras de Basto, “centro da revolução; daí irradiou com mais ou menos força para os concelhos de Vieira, Fafe e Celorico, os únicos que se levantaram à voz do seu chefe, como fiéis, que eram”, sendo que as ordens para os manejos (…) emanavam todas do Padre Domingos, que por sua vez as recebia do Padre Júlio de Vieira, ou directamente de Paiva Couceiro.
O autor dedica um capítulo do livro a Cabeceiras, com o título de “A Rebelião de Cabeceiras de Basto”, no qual destaca a resistência corajosa dos homens do Padre Domingos. Eis um parágrafo: “Os guerrilheiros de Cabeceiras, senhores apenas de 50 armas de guerra e de algumas caçadeiras, tendo mantido corajosamente a resistência, durante cinco dias, contra uma remessa de carbonários e diversos destacamentos republicanos, viram-se por último na contingência da dispersão, sobre o cerco envolvente de 2500 homens (mais tarde juntaram-se em Cabeceiras cerca de 8000 homens das forças regulares)”.
O autor, vítima e testemunha das perseguições, conta alguns factos ocorridos na cadeia das Pereiras, com insultos e humilhações dirigidas aos presos, nomeadamente aos padres “por toda aquela vil canalha do 5 e 16 de Lisboa”, simulando por vezes fuzilamentos sumários.
Um livro muito interessante e cheio de informações sobre um período negro, ainda que com laivos gloriosos, da história cabeceirense.
(continua)

Por: Francisco Vitor Magalhães

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