Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-11-2007

SECÇÃO: Golpe de vista

Golpe de Vista
Ilusão

O populismo é o meio mais fácil para atingir determinados objectivos, nomeadamente para perpetuar o poder quando não se é capaz de o merecer pelo trabalho, pelo desempenho, pela dedicação, pelos resultados conseguidos. Estou a falar do poder em geral, mas muito em particular do poder local.
O pior é que, a maior parte das vezes, esse populismo não consegue retirar da cauda dos mapas estatísticos, os municípios onde o mesmo é praticado. Com efeito, quase todos os municípios que figuram nos últimos lugares dos rankings das estatísticas, são concelhos onde o populismo é prática corrente.
E que tipo de populismo? Aquele que mais facilmente os eleitores absorvem. Fomenta-se uma espécie de Estado previdência. Ou seja, uma câmara municipal que tudo oferece aos seus munícipes.
Vejamos o que se passa nalguns municípios. Praticam-se as mais baixas taxas de impostos, isentando-se o maior número de proprietários. Oferecem-se os livros escolares a todos, sejam ricos ou sejam pobres – há famílias com rendimentos mensais de muitas centenas de contos que recebem os livros escolares de borla – será justo!? As refeições nas escolas são gratuitas para todos, os prolongamentos de horários não se pagam: Dão-se subsídios aos casamentos. Dão-se subsídios aos nascimentos. Paga-se uma espécie de abono de família mensal para crianças pequenas a par do abono concedido pela Segurança Social: Estabelecem-se os mais baixos preços na prestação dos diferentes serviços. Disponibilizam-se gratuitamente transportes individuais em viaturas camarárias para deslocações às consultas médicas, aos terapeutas e a outros que praticam medicinas alternativas – pelo caminho, às vezes, até param à porta do hipermercado para fazer umas comprinhas.
E qual tem sido o resultado?
Veja-se o que se passou com um município da região centro que tentou oferecer cama, mesa e roupa lavada a quem lá se quisesse fixar! Instalaram-se ali uns dois ou três casais e pouco tempo depois já só havia problemas. Lá se foram!
E o que se está a passar nalguns concelhos nossos vizinhos? Tudo se dá a pobres e ricos e, no entanto, a população vai decrescendo de dia para dia. Os indicadores são quase todos negativos. Afinal, não saem da cepa torta!
Mais importante do que dar tudo a todos e instalar um verdadeiro Estado previdência é preciso criar condições para que o território seja atractivo. É preciso desenvolvê-lo dotando-o de infra-estruturas básicas, de acessibilidades, de equipamentos públicos. É preciso apostar na valorização das pessoas, na educação e na formação, É preciso apostar na criação de espaços próprios para a instalação de empresas. É preciso apostar no desenvolvimento de actividades únicas que se diferenciem dos demais. É preciso valorizar os recursos próprios e deles tirar o melhor partido.
Desta forma será possível melhorar as condições de vida das populações.
Assim será possível deixar a cauda dos mapas estatísticos.
Convençamo-nos que a subsidio-dependência não nos levará a lado nenhum.
É uma ilusão. Um balão que quando esvaziar nos deixará muito mal!
Não nos iludamos!

A. C.

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