Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-10-2007

SECÇÃO: Opinião

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Dia Internacional do Idoso

Os mais curiosos sobre a evolução demográfica portuguesa têm a consciência do aumento da taxa de envelhecimento em prol de uma reduzida taxa de natalidade. Esta temática tem sido alvo de muitas investigações, devido ao efeito que a mesma provoca no mundo em que estamos inseridos, no rumo que o tecido empresarial leva, nos comportamentos e estilos de vida.
Estamos perante uma sociedade cada vez mais envelhecida, o que por um lado traduz-se numa agradável notícia, todavia o mau é a consequência de tal facto. Com uma medicina cada vez mais avançada, descobrindo constantemente curas para males que jamais se pensara em obter , aumentando a esperança de vida, uma visão preocupada e voltada para esta faixa etária por parte do Ministério da Saúde, elaborando campanhas nacionais de rastreio, de incentivo para o exercício físico, para hábitos de vida com maior qualidade, bem como o apoio local na promoção de actividades várias de modo a proporcionar convívios intergeracionais e motivadores para este público-alvo, os apoios financeiros do Estado, os auxílios muitas vezes consideradas como vitais de Instituições dedicadas aos Idosos, entre outros. Estes factores proporcionam um envelhecer com maior qualidade, há de facto uma preocupação nacional e horizontal pelo envelhecimento, prova disto é a comemoração do Dia Internacional do Idoso.
Socialmente, aquele idoso tipicamente rural que apenas conhecia a sua aldeia, os seus campos de cultivo, do qual não podia, por diversos motivos, conhecer outra realidade, morrendo na sua casa por vezes situada numa aldeia distante da modernização, está a ser transformado... Esta mudança de comportamentos advém dos familiares estarem contextualizados num mundo moderno, com um quotidiano exageradamente ocupado e exigente, trazendo os seus pais para a cidade ou colocando-os aos serviços de Instituições de Solidariedade Social com o objectivo de proporcionar a satisfação das necessidades básicas dos mesmos.
Se desafiarmos a nossa memória e fizermos uma retrospectiva sobre a vivência dos nossos bisavôs e posteriormente dos nossos avós e hoje dos nossos pais, verificamos uma assinalável mudança. Sociologicamente, há uma alteração de estilos de vida por via de todos os meios que hoje a sociedade detém para os idosos. A insistente reduzida taxa de natalidade portuguesa não é mais do que o reflexo do nosso quotidiano, das exigências cada vez mais insuportáveis do mundo de trabalho. Hoje em dia, para garantir um emprego é necessário ter um comportamento incessante de escolhas, escolhas essas que são sempre em detrimento de uma vida familiar, de uma estabilidade emocional e financeira promissora de apostar na natalidade.
Actualmente, na comunicação social podemos observar políticas promoção da natalidade, incentivos à procriação, muitas vezes promovidas por Municípios com vista à fixação da sua população, atacando desta forma a desertificação. Mas não chega!
Dia 1 de Outubro, comemoremos este dia dedicado àqueles que têm uma longa história de vida a partilhar, experiências de aprendizagem aos mais novos, uma esperança de final de vida feliz e tranquila.

Por: Sílvia Machado

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