Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-10-2007

SECÇÃO: Golpe de vista

“Negare otiu”

Onze dias de festa provocaram grande agitação e movimento na Vila de Cabeceiras de Basto, que muito terá contribuído para a animação do comércio local. Milhares de forasteiros participaram em diversas iniciativas que compunham o programa – magnífico, diga-se – de que destacamos a presença em Cabeceiras de Basto, dos Delfins, Marco Paulo ou Orquestra Ligeira do Exército. Mas também, a organização das já tradicionais Corridas de Cavalos ou Chegas de Bois. E, por que não lembrar, o Cortejo Etnográfico no qual participaram todas as Juntas de Freguesia do concelho, com um brio e empenho digno de realçar. É evidente que a tudo isto teremos que juntar a majestosa procissão, todos os anos um dos pontos altos das Festas de S. Miguel. Dezenas de autocarros vindos de diversos pontos do país, estacionados em tudo o que era lugar disponível, trouxeram a Cabeceiras milhares de pessoas que nem a ameaça de chuva impediu de aqui se deslocarem.
Com uma vila cada vez maior é natural que a presença de mais gente pareça menos. De facto, há uns anos, a festa espalhava-se por uma área muito mais restrita. O trânsito era caótico. Não havia onde estacionar. Agora, há mais ruas, rotundas e praças e, portanto, essas dificuldades são menores. A feira espalha-se por novos espaços.
E como reagiu o comércio local? Muitos comerciantes com quem tive oportunidade de falar, congratularam-se com o que se passou nestes onze dias de festa. Fizeram negócio, estavam satisfeitos. Esperam que no futuro a Comissão de Festas continue a apostar em programas de qualidade e estão disponíveis para continuar a apoiar financeiramente o S. Miguel.
Mas, também houve alguns que se lamentaram. E, curiosamente, alguns desses, são os que têm os seus estabelecimentos mais próximo dos locais onde decorreu a maioria das iniciativas. Seriam apenas desabafos, próprios de um sentimento muito nosso que leva-nos a dizer permanentemente que está sempre tudo mal, ainda que esteja bem, ou, por outro lado, esses lamentos corresponderiam à realidade? Se sim, será que já fizeram a avaliação do resultado? Por que será que o negócio não correspondeu às expectativas? Tinham o produto que os clientes procuravam? Tinham a qualidade do serviço que os clientes esperavam? Tinham os preços justos para o serviço ou produto que disponibilizavam? Foram inovadores?
Vivemos outro tempo. Hoje, a concorrência entre comerciantes é muito maior e o nível de exigência dos clientes é também maior. Por isso, é preciso estarem atentos às novas realidades e terem grande capacidade de inovação e adaptação. Um comerciante deve ser um verdadeiro negociante. E um negociante – a palavra negócio deriva do latim “negotiu” que por sua vez resulta da composição “negare + otiu” que significa “negar o ócio” – é aquele que está sempre atento às oportunidades e que, por isso, nega o ócio (o repouso, o descanso, a preguiça, a inacção…).
Oxalá as Festas do Concelho se mantenham como uma referência nesta Terra de Basto e os comerciantes continuem a contribuir para o seu engrandecimento e a sentir que estes dias são uma boa oportunidade para fazer negócio.

A. C.

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