Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-09-2007

SECÇÃO: Opinião

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A HISTÓRIA DO CHÁ

Ao contrário do que possa parecer, bebe-se mais chá em todo o mundo do que outra bebida qualquer.
O chá tem uma história colorida e fascinante que tece o seu caminho através dos tempos e da história cultural e social de muitos países.
A origem do chá parece estar ligada à China onde se consta que o imperador Shen Nung, que só bebida água fervida por questões de higiene, estando um dia sentado a descansar à sombra de uma árvore selvagem de chá, uma leve aragem agitou os seus ramos e fez cair algumas folhas que foram parar à sua água fervida. O imperador achou esta infusão tão deliciosamente refrescante e revitalizante e desta forma se conta que foi descoberto o chá.
Se é a verdadeira história do nascimento do chá, não sabemos, mas desde o séc. III a.C. que esta bebida era preparada como medicamento ou tónico.

O chá é uma planta perene da família das Camélias – Camelia Sinensis. É uma planta de folhas verde escuras, brilhantes e grossas e flores brancas, pequenas e delicadas de aproximadamente 2,5cm de diâmetro com cinco ou seis pétalas, semelhantes a flores de jasmim. O chá cresce melhor em temperaturas quentes e húmidas.
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As folhas de chá contêm muitas substâncias químicas (aminoácidos, hidratos de carbono, iões minerais, cafeínas e compostos de polifenol) que dão ao chá a sua cor e sabor característicos.
O gosto do chá é dado pelos compostos de polifenol – os chamados taninos. A cafeína existente no chá actua como um estimulante moderado do sistema nervoso central e aumenta a actividade dos sucos digestivos – por esta razão muitas pessoas têm por hábito beber uma chávena de chá depois das principais refeições!

Os diferentes tipos de chás que encontramos no mercado provêm todos da mesma planta do chá, diferindo entre si no modo de processamento.
1. CHÁ BRANCO
É produzido numa escala muito limitada. Os botões novos são colhidos antes de se abrirem, são postos a murchar ao ar para permitir a evaporação das humidades naturais e depois secos. Estes botões enrolados têm um aspecto prateado e dão origem a um néctar muito claro, cor de palha.

2. CHÁ VERDE
A este chá chama-se muitas vezes chá “não fermentado”. As folhas acabadas de colher secam e a seguir são passadas pelo calor para interromper qualquer possibilidade de fermentação (ou oxidação) que faria apodrecer a folha. A sua coloração, depois de preparado, á esverdeada.

3. CHÁ OOLONGO
Este chá é conhecido como chá semifermentado e é produzido essencialmente na China e em Taiwan. As folhas da planta do chá não podem ser colhidas demasiado cedo e é importante que sejam tratadas imediatamente a seguir à colheita. São primeiro secas à luz do sol, depois sacudidas em cestos de bambu para esfacelar ligeiramente as arestas das folhas. A seguir, são alternadamente sacudidas e espalhadas ao ar para secarem até à superfície da folha se tornar ligeiramente amarela. As arestas tornam-se avermelhadas à medida que as substâncias químicas na parte magoada da folha reagem ao oxigénio. Os chás Oolongos são sempre chás de folha inteira. Dão origem é um néctar escuro ou castanho alaranjado.

4. CHÁ PRETO
Os métodos e as variedades de chá preto diferem muito da região onde o chá é produzido. Na maioria dos casos as folhas colhidas são espalhadas para murchar até estarem suficientemente flácidas para serem enroladas sem quebrar a superfície da folha. Nesta fase, as folhas libertam um aroma frutuoso, que lembra o cheiro de maçãs. A seguir, a folha murcha é enrolada de maneira a libertar as substâncias químicas que encerra, as quais são essenciais para a cor e sabor definitivos.
Os pedaços de chá enrolados são então partidos e a folha é espalhada ao ar livre numa atmosfera fria e húmida entre 3 a 4 horas para absorver o oxigénio que dá origem a uma alteração química nas partículas da folha e lhes dá uma coloração entre o verde e o vermelho acobreado. Por fim, estas folhas são passadas pelo fogo de maneira a interromper a natural decomposição, tornam-se pretas e adquirem o seu identificável cheiro a chá.

5. CHÁS AROMATIZADOS
Tanto o chá verde, o chá Oolongo como o chá preto servem todos para o fabrico de chás aromatizados. Os sabores adicionais são misturados com a folha preparada numa fase final antes de o chá ser embalado.

6. TISANAS
As tisanas de frutos, flores e infusões que não contêm qualquer produto da planta do chá não devem ser confundidos com chás aromatizados ou com sabores. Estas preparações de ervas não são chás – são chamadas infusões.
Não contêm cafeínas nem teobromina (estimulantes do sistema nervoso central) mas como são feitos a partir de frutos, flores ou determinadas partes de plantas, os seus princípios activos podem ser maléficos se ingeridos em quantidades exageradas.
(Apenas um exemplo: a infusão de folha de oliveira é aconselhado para os doentes hipertensos. A ingestão desta infusão em demasia pode conduzir à morte por hipotensão, ou seja, a tensão arterial baixa em demasia acabando por conduzir à morte!)

Por último, uma curiosidade…

A ORIGEM DO “CHÁ DAS CINCO”
Até ao princípio do séc. XIX o chá era bebido a todas as horas do dia e, especialmente, como digestivo no fim da refeição principal da noite.
Foi Anna, a sétima duquesa de Bedford que, achando muito longo o intervalo entre o almoço que era ligeiro e a ceia da noite, dizia sentir a meio da tarde uma espécie de “sensação de esvaimento”. Para acalmar os seus acessos de fraqueza, um certo dia pediu à sua criada que lhe levasse ao quarto um bule de chá e um refresco leve. Considerou o resultado tão agradável que começou a convidar as amigas para a acompanharem no chá da tarde. Em breve toda a cidade de Londres se entregava a estes encontros para beber chá, comer sanduíches e pequenos bolos, enquanto conversavam ou trocavam mexericos!!!

Por: Susana Ferreira

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