Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-09-2007

SECÇÃO: Formação em acção

A Matemática no dia a dia

A matemática está bem viva e presente em quase todas as actividades do nosso dia-a-dia, ainda que muitas vezes não damos conta disso. E para além de útil e verdadeiramente indispensável, ela é bastante divertida.
Logo pela manhã, quando toca o despertador, começamos a utilizar a Matemática. Se o relógio for digital, lemos as horas, isto é, interpretamos aqueles números do mostrador como representando uma quantidade de tempo transcorrida desde a meia-noite. Se for analógico, avaliamos essa mesma quantidade através da posição relativa dos ponteiros, isto é, avaliamos ângulos desde o ponto de referência e convertemos esses ângulos na tal quantidade de tempo. Na prática, a quantidade que nos interessa é quanto estamos atrasados e avaliamos quanto temos que correr para estar numa certa hora num certo local, seja na escola ou no trabalho. Durante o dia, repetiremos este processo inúmeras vezes para não perdermos os nossos compromissos e faremos essas avaliações de forma tão automática que não nos daremos conta da complexidade matemática envolvida.
Assim que abrimos os olhos pela manhã, a primeira coisa que fazemos é localizar-nos no ambiente, a nossa distância em relação à parede, à porta, ao chão, etc. Durante o dia, fazemos inúmeras localizações deste tipo, de forma tão automática que poderemos estar a ler uma revista enquanto andamos pela rua e não só evitaremos obstáculos e outras pessoas, como nos orientaremos para saber quando deveremos virar à direita ou esquerda para chegar onde desejamos. No carro, poderemos estar a conversar com alguém no banco ao lado, enquanto seguiremos pelo percurso desejado, mantendo a devida distância dos carros vizinhos. Teremos ainda de nos localizar temporalmente, construir e seguir agendas e cronogramas. Todas essas localizações, ainda que espontâneas e sem a complexidade envolvida na confecção de mapas, envolvem referenciais baseados na Matemática.
Para ir às compras, pagar o colégio ou a gasolina, temos que calcular preços, contar moedas ou notas. Durante o dia, contamos inúmeras coisas, desde as páginas daquele relatório que temos que ler, os alunos presentes na sala, as laranjas que levaremos para casa, os dias que faltam para o fim do mês, etc. Aqui nem precisamos enfatizar como a Matemática está presente.
Durante o dia, apareceram inúmeros desafios, menores ou maiores, para os quais teremos de criar projectos e estratégias e trocar informação com colegas, desde a escolha da alternativa para a avenida congestionada à proposta de aumento de verba para o projecto, passando pelas férias do verão, pela pescaria do domingo e pelo pedido de aumento ao chefe ou ao pai. Para isso, usaremos esboços, esquemas, desenhos, diagramas e gráficos, todos com base matemática.
Depois de tudo, nada como um joguinho para relaxar. Mas a Matemática não nos abandona! Não há jogo que não tenha base matemática, seja na contagem de pontos, na geometria do tabuleiro, na estratégia de vitória ou na programação do computador ou do jogo. Só pelo facto de realizarmos todas essas actividades sem pensar em Matemática, não quer dizer que ela não esteja presente a cada instante. A Matemática foi criada espontaneamente pelo Homem para auxiliá-lo nas suas tarefas diárias mais banais. Povos dos mais primitivos têm a sua própria Matemática desenvolvida em algum grau.
Para que serve a Matemática? Lacroix, o precoce geómetra francês, responderia que os mais preciosos frutos do aprendizado de Matemática são “o gosto pela exactidão, a impossibilidade de se contentar a si próprio com vagas noções ou de tomar por base meras hipóteses, a necessidade da percepção clara da ligação entre certas proposições e o objectivo em vista”, habilidades extremamente úteis em qualquer campo de actividade.

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