Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-07-2007

SECÇÃO: Opinião

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VANTAGENS COMPARATIVAS (79)
JOE BERARDO

Confesso, muito sinceramente, que tenho vindo a sentir-me um pouco em desconforto, com as afirmações que têm surgido, em grandes parangonas, em quase tudo o que é comunicação social, como sendo da autoria do magnata de quase tudo, o Senhor Comendador Joe Berardo. Antes de mais, não simpatizo com a americanização (sul-africanização) do nome “Joe”. O seu verdadeiro nome é José Manuel Rodrigues Berardo. É da minha geração, nasceu a quatro de Julho de 1944. Sugiro que o questionem se cumpriu serviço militar, no exército português, já que é natural da ilha da Madeira. Eu penso, é a minha modestíssima opinião, que lhe ficaria muito melhor continuar a chamar-se por José. Sobre “Joe”, sempre vestido de preto, não direi mais nada.
Espero, com alguma preocupação, que o Senhor Comendador nunca venha a ler este jornal, e, se por qualquer estranho desígnio do destino, o vier a ler algum dia, que passe em vão sobre aquilo que lá possa aparecer como sendo da minha autoria. Pois, a avaliar pelo que ele disse acerca do futebolista Rui Costa, e do Administrador Dr. Mega Ferreira, se um dia ler o Ecos de Basto, e embicar com alguma das minhas crónicas, essa será, sem qualquer margem para dúvidas, a última. Deus permita que o Senhor Comendador não leia, nunca, este prestigiado jornal regionalista.
Que o Senhor Comendador Berardo é um homem muito rico, penso que ninguém tem dúvidas. Que começou a sua vida como simples trabalhador, na Àfrica do Sul, quando era ainda bastante jovem, também parece não ser motivo para qualquer esboço de contestação. Porém, estou certo de que não serei o único a pensar que o dinheiro não é tudo, mesmo que se possa comprar quase tudo com o dinheiro. Deve ser o caso do Senhor Comendador, tem muito dinheiro compra a arte que quer. Já quanto à pintura de um simples quadro, para o que não é preciso quase dinheiro algum, interrogo-me se o Senhor Comendador o conseguirá. Também não será capaz de dar um pontapé, numa qualquer bola, como o faz Rui Costa.
Quando, há uns dias atrás, li a sua entrevista a um jornal diário, fiquei a saber que o Senhor Comendador, oriundo da ilha da Madeira, tinha emigrado para a África do Sul, onde chegou aos dezanove anos de idade, e fez fortuna com o negócio de ouro e diamantes.
Estou a ler um livro, cuja história, isto é, o percurso do protagonista, me faz lembrar um pouco a história que se conhece do Senhor Comendador. O livro é “O Toque de Midas” e a autora é “ Collen McCullough”. O protagonista da história é “Alexander Kinross”. Trata-se de um jovem escocês, quase analfabeto, aprendiz de latoeiro, que decide emigrar, quase clandestinamente, primeiro para os EUA, onde muito facilmente encontra ouro em minas da Califórnia, e depois para a Nova Gales, no sul da Austrália, onde igualmente encontra ouro, com a maior das facilidades, constrói um império industrial e, inclusivamente, uma cidade com o seu próprio nome, a cidade de Kinross. Neste momento ainda vou a meio do livro, mas já alguém me confidenciou que o fim do protagonista vai ser trágico. Ainda não sei o fim…
Sou solidário com todos os que têm sido alvo das bizarras afirmações do Senhor Comendador, e espero, muito sinceramente, que ele não se lembre de lançar qualquer OPA sobre a igreja de S. Miguel de Refojos. Afinal estamos em presença de uma vetusta obra de arte, e não me admiraria muito, se um qualquer dia presenciasse, os procedimentos de carga, num navio de transporte de mercadorias, atracado no Cais da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, devidamente numeradas, todas as pedras da nossa igreja de S. Miguel de Refojos, e, dois anos mais tarde, esta mesma igreja aparecesse, na aldeia de origem do Senhor Comendador, a ser inaugurada, com discurso do presidente do governo regional, com a devida referência aos “cubanos” de Cabeceiras de Basto, que não tiveram duas bolinhas, no devido sítio, para defenderem o seu próprio património.
Também concordo com aqueles que têm escrito, que o governo está de cócoras, perante as exigências do Senhor Comendador, no que respeita às condições da exposição no Centro Cultural de Belém. Como dizia Manuel António de Pina, na sua crónica diária no Jornal de Notícias de 28 de Junho do corrente ano de 2007, “Berardo comprou o Centro Cultural de Belém com a singularíssima particularidade de o governo ainda lhe pagar para ele o comprar” e “Ainda há-de chegar o tempo em que a bandeira de Berardo terá que ser hasteada ao lado da bandeira nacional ou em vez dela, sob pena de Berardo demitir o governo”.

Por: José Costa Oliveira

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