Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-07-2007

SECÇÃO: Golpe de vista

Não há crianças

Os dois Ministérios responsáveis pela Educação, as autarquias, as Universidades e os Agrupamentos de Escolas, apesar das férias de muitos dos seus funcionários, afectaram, nesta altura, grande parte dos seus recursos humanos na preparação do novo ano lectivo. É necessário que possa iniciar-se em Setembro nas melhores condições para alunos, pais, professores e restante pessoal.
É assim todos os anos nesta época de Verão. Os alunos estão de férias mas há muita gente envolvida na azáfama que o início de novo ano escolar sempre acarreta.
Lembrei-me de escrever hoje sobre este assunto porque li nalguns órgãos de comunicação, ao longo dos últimos dias, notícias que dão conta de protestos quanto ao encerramento de escolas do 1º ciclo. Protestos já recorrentes, diga-se! Com efeito, o encerramento de uma escola nesta ou naquela aldeia é sempre um acontecimento muito triste. Diria, é até dramático no caso de se tratar da última escola de uma qualquer freguesia. Mas, por que é que isto acontece? Porque não há alunos. Porque não há crianças.
Nos últimos vinte anos, o ensino primário, hoje designado 1º ciclo, perdeu 500.000 alunos. Por isso, quantos professores deixaram de ser necessários? Quantos auxiliares de educação não foi preciso contratar? Quantas salas ficaram vazias? Esta é que é a realidade! E o futuro como vai ser? Provavelmente pior. Veja-se: no ano 2006, Portugal registou a mais baixa taxa de natalidade de sempre.
Há por aí tantas e tantas freguesias onde já não se ouvem os berros, os gritos, a cantoria, enfim, a algazarra natural que as crianças sempre faziam na escola, na praça, no largo, na rua. Já não há crianças! Que pena!
O reordenamento escolar do 1º ciclo era, assim, inevitável. E outros virão a seguir. Quem está contra? Não, não são os pais. Esses querem sempre o melhor para os seus filhos. Por isso, entre estarem numa escola sozinhos ou acompanhados com tão poucos colegas, não terem um professor para cada ano de escolaridade, não terem cantina, não terem acesso a actividades extra-curriculares, não terem a possibilidade de, na diversidade e na diferença, se sociabilizarem, os pais querem que os seus filhos vão para uma escola, dita melhor. Aliás, já assim acontece há muito tempo. Há anos que muitos pais procuraram matricular os seus filhos na escola sede, na escola da vila, por a considerarem melhor.
Então, quem protesta?
São muitas vezes pessoas que nem filhos têm em idade escolar, que utilizam este encerramento para esgrimir lutas político-partidárias. Acredito que muitos pais num primeiro momento ainda possam ser instrumentalizados. Mas, também sei, que depois de esclarecidos, colocam o interesse dos seus filhos à frente de um qualquer outro interesse mal explicado.
A preocupação do Ministério da Educação é que a escola de acolhimento ofereça sempre melhores condições do que a escola a encerrar. E, pelos vistos, está a ser conseguido, uma vez que nos anos anteriores os protestos acabam logo que o ano lectivo começa.
Os nossos filhos merecem o melhor!
A. C.

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