Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-07-2007

SECÇÃO: Opinião

D. NUNO E D. LEONOR DE ALVIM

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Em 24 de Junho de 1860 nasceu na Flor da Rosa, no actual concelho de Cernache de Bonjardim, um filho bastardo de Álvaro Pereira, Prior da Ordem do Hospital. É um dos 32 filhos do Prior e um dos oito que tiveram por mãe Iria Gonçalves do Carvalhal. Na pia baptismal recebeu o nome de Nuno.
O Prior da Ordem zela pela educação dos seus inúmeros filhos. Nuno é colocado na corte de D. Fernando, o Formoso, onde desempenha funções de pajem. Aí arranja amizade com o Infante D. João, futuro mestre da Ordem de Aviz, bastardo do rei D. Pedro I, o Justiceiro.
Mas o pai de Nuno não vê com bons olhos o que se passa na corte de D. Fernando, casado com a dissoluta Leonor Teles e tenta afastar o filho daquele mau ambiente. Num dia em que a corte se encontra em Vila Nova da Rainha (Alentejo) apresenta o filho a D. Leonor de Alvim, fidalga dos Barrosos de Basto, viúva do castelão das terras de Barroso, D. Vasco, que lhe legara uma grande fortuna.
D. Nuno tem 16 anos, Leonor 26. O rei consente no casamento que se realiza em 15 de Agosto de 1376 na dita Vila Nova da Rainha. A lua-de-mel é passada em Cernache e depois o casal retira-se para o solar da noiva, em Pedraça, das terras de Basto.
D. Nuno passa o tempo em montarias e caçadas e faz caracolear o seu cavalo pelos empedrados da época. Faz algumas estadias nas casas da Reboreda, em Salto, quinhão de D. Leonor. Do casamento vão nascer três filhos, dois varões que falecem poucos dias após o nascimento, e Beatriz (ou Brites) que sobrevive.
Quando o rei falece em 22 de Outubro de 1383, D. Nuno está no Minho. Vão-se degladiar os pretendentes ao trono de Portugal. A candidatura mais temida é a do Rei de Castela, D. João, que se arvora como mais legítimo, dado ser genro de D. Fernando e de Leonor Teles. D. Nuno oferece os seus serviços a D. João, mestre de Aviz. Numa tarde histórica o Mestre mata o Conde Andeiro e pede o auxílio do povo que o proclama como Defensor do Reino.
D. João das Regras, famoso jurisconsulto, impõe a candidatura ao trono do Mestre de Aviz. Alcança o trono, enquanto a rainha Leonor Teles foge para Espanha buscando o auxílio do seu genro, rei de Espanha, candidato preterido. D. Nuno é nomeado pelo Rei Condestável do Reino e vai comandar um pequeno mas aguerrido exército em contendas, justas, pequenas batalhas. D. Nuno é o grande artífice da vitória de Aljubarrota, em 14 de Agosto de 1385, que sustenta o trono de Portugal. D. João, agora Rei de jure e de facto vai agradecer aos que mais o auxiliaram, com inúmeras benesses. D. Nuno recebe o condado de Ourém e todas as mais terras que foram do Andeiro: Vila Viçosa, Portel, Porto de Mós, Borba, Montemor-o-Novo, Babaçal, Estremoz, Almada, Bouças, Évora-Monte, Sacavém, Alvaiázare. No norte o rei doa ao seu “Condestável” a “terra de Basto”, a “terra de Pena”, a “terra de Barroso”, e Arco de Baúlhe e ainda garantia que em sua vida não seriam criados novos condados. O condado de Barcelos, vago pela deserção do conde João Afonso Teles, irmão da Rainha, é dado a D. Nuno que passa a ser o 7º Conde de Barcelos. Faz o seu Paço na velha Rua dos Açougues onde ainda hoje numa velha parede se ostenta o brasão de armas dos “Pereiras”.
Mas em Dezembro de 1377 o Condestável sofre um rude golpe. A esposa falece no Porto sem a presença do marido. É sepultada no Convento dos Dominicanos de Vila Nova de Gaia. Beatriz é levada para Lisboa, para casa de sua avó paterna, Iria.


Por: Francisco Vitor Magalhães

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