Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-05-2007

SECÇÃO: Opinião

A ERA DO COMPUTADOR E DA INTERNET

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A sua importância, o seu uso indevido… e perigoso!

Não posso dizer com toda a sinceridade que sou uma pessoa muito assídua a assistir à Missa de Domingo mas tento cumprir o mais possível com os Mandamentos da Igreja pelo menos aos domingos. Não sou muito de andar a bater constantemente com a mão no peito. Mas como qualquer cristão tenho muito respeito e temor pelas coisas da Santa Igreja Católica. Tento praticar os ensinamentos que os meus pais me transmitiram a mim e aos meus irmãos. Reconheço com bastante culpa que quando digo que pratico os ensinamentos não estou a ser coerente. Entendo que um verdadeiro cristão praticante é aquele que vai diariamente à Igreja e colabora em actividades tais como ensinar a catequese, ler na missa e cantar no coro, cumprindo mais com os requisitos “impostos” e eu, nisso falho muitas vezes. Claro que nem só quem vai à missa muitas vezes é que está nos caminhos de Deus. À minha maneira tento ser menos má, mais tolerante, mais prestável menos orgulhosa, menos preconceituosa e mais humana. Ainda acho que as boas acções valem mais que muitas “rezas”. Mas as orações também são necessárias desde que sejam sinceras e não hipócritas!
Tudo isto para dizer que quando vou à Igreja procuro estar, com respeito, fé e devoção. Gosto, sobretudo, de prestar atenção aos temas que o nosso estimado Padre Fernando, pessoa que eu admiro muito, se debruça nas homilias.
Num destes Domingos de Maio, mês de Maria, fui assistir à Missa das onze horas. Sentei-me num lugar vago, lá mais para o fundo da Igreja e, enquanto o senhor Padre não vinha da sacristia para iniciar o acto religioso, fui “conversando” mentalmente com Deus, pedindo mais uma vez, como sempre, paz para o mundo, perdão a Deus por alguma falta cometida e, sobretudo, pedir protecção para a minha família, especialmente para os meus quatro netos pequenos que, sendo ainda menores, estão mais expostos aos perigos do mundo.
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Tentei seguir a missa com a máxima atenção, não obstante um ou outro barulhinho inoportuno.
Quando o nosso Padre começou com a homilia chamou-me a atenção uma palavra que ele usou: Internet! Como um sacerdote deste século, o Padre Fernando é um homem actualíssimo! Trabalha com o computador, certamente para fazer os registos dos paroquianos da Freguesia de Refojos e ao mesmo tempo saber se eles têm a oferta em dia e inscrever todas as crianças da freguesia pelo menos aquelas que ele conhece através dos baptizados. De certeza também vai eliminando os que vão falecendo. Usa também o computador para fazer a folha semanal das missas das almas, das orações da semana e dos avisos. Resumindo: é um homem actualizado e informado!
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Por esse motivo quando ele iniciou a sua simples palestra e incidindo sobre o uso da Internet prestei a devida atenção. Achei um tema interessantíssimo, no qual todos nós nos devíamos debruçar. Começou por enumerar as vantagens de saber utilizar a alta tecnologia, neste caso o computador e a Internet, o quanto eles nos podem facilitar a vida, procurando na hora e no momento a informação desejada. No ensino, na medicina, nas comunicações, nos meios de transporte, nos centros espaciais. O “simples” facto de estarmos ligados a qualquer parte do mundo, na hora e em qualquer momento, enfim… um sem números de coisas! Coisas essas que devido a um rápido progresso se tornaram imprescindíveis e sem as quais já não sabemos viver.
Mas todo o progresso tem as suas desvantagens e os seus riscos.
Sem querer usar palavras textuais do Padre Fernando até porque não sou muito boa a memorizar discursos farei um apanhado das palavras dele, misturado também com a minha opinião.
Julguei perceber que depois de enumerar as vantagens, o Padre Fernando falou dos perigos que o uso indevido e sem controlo da Internet pode levar os mais desprevenidos a meterem-se em grandes problemas.
O tema muito apropriado, útil e actual do senhor Padre Fernando Castro, repito, pessoa muito preocupada com o momento que estamos a atravessar, que vê os perigos, especialmente nas crianças e adolescentes, ao lhes ser “posto” nas mãos pelos seus encarregados de educação um instrumento tão útil como perigoso, sem tomarem as devidas cautelas contra determinada informação que lhes entra pelos olhos dentro, veio muito a propósito sobre as notícias trágicas que aparecem na televisão há quase um mês sobre o desaparecimento de uma menina inglesa, no sul de Portugal. Este é um exemplo entre muitos que têm acontecido em Portugal ultimamente. Infelizmente já vai acontecendo com bastante assiduidade. E estes “negócios” são feitos através da Internet, onde operam as redes pedófilas. E, é sempre muito difícil descobrir quem são os rostos que estão por trás disto. Realmente pelas notícias que vamos ouvindo não é fácil desmantelar estas “transacções”. E admira-me isso, quando já tenho ouvido na comunicação social, que determinadas pessoas “craques” em assuntos da tecnologia informática, conseguem entrar em instituições bancárias fazendo retiradas de dinheiro das contas dos clientes.
Sem querer estar a dar uma de pessimista e ignorante no assunto, e confesso-vos que até sou bastante alérgica aos computadores, penso que nada é seguro neste mundo. Nem se pode dizer com toda a segurança que estamos protegidos pelo direito à confidencialidade!
Agora, imaginem vocês, quando pensamos nas nossas crianças, fechadas dentro de um quarto, frente ao computador, de alta gama, a dar asas ao seu espírito aventureiro, carregar em todas as teclas para verem o que sai dali e, de repente dar com imagens pornográficas, ou então começarem a dialogar através do “Messenger” com pessoas que não conhecem de lado nenhum e que os induzem a “coisas” que os podem marcar para o resto da vida.
Como vocês podem verificar através dos noticiários quando acontecem detenções por corrupção, sequestros, prostituição e pedofilia os computadores são imediatamente confiscados para averiguações.
Tem que haver a nível dos nossos governantes um maior controlo na utilização de tão grande “máquina”, assim como exigir os registos de quem compra e quem vende computadores para que haja uma melhor localização dos "criminosos".
E, foi este alerta preocupado que percebi nas palavras do Padre Fernando Castro, que me deu a ideia para que através deste jornal possa apelar aos pais para prestarem mais atenção aos seus filhos.
O perigo para as crianças tanto pode estar na rua, através da abordagem de desconhecidos com fracas intenções, como pode estar dentro da própria casa, sozinhos no quarto, em frente ao computador.

fernandacarneiro52@hotmail.com
Imagens retiradas da Internet

Por: Fernanda Carneiro

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