Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 15-05-2007

SECÇÃO: Opinião

As novas tecnologias e os jogos/brincadeiras de antigamente

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Todas as mudanças sociais fazem-se acompanhar também de mudanças culturais de infância, estamos numa época marcada por novas tecnologias, em que o computador, o telemóvel, o comando da televisão e os jogos de vídeo são os melhores “amigos” do homem/mulher, os jogos tradicionais e as brincadeiras de rua vão sendo esquecidas.
Hoje em dia as crianças e os jovens crescem num contexto cultural em constante mudança, bastante complexo e incerto, submerso por uma crise de valores e cercado por inúmeros canais de informação. Estamos na época da comunicação e da distracção de massas. Muitas das nossas crianças vivem alojadas dentro de casa e parecem escolher como “desporto” favorito, ligar a televisão ou o computador. A substituição das actividades tradicionais por estas novas tecnologias tem vindo a modificar os hábitos de ludismo da criança. E não há dúvida, que estes meios significam a evolução, mas qual o reverso da medalha?
É difícil tomar uma só posição, pois tanto o computador, como a televisão trazem vantagens: novos conhecimentos, enriquecimento do vocabulário, é um desafio a um novo mundo a conquistar, mas por outro lado são intrigantes as soluções a implementar sobre o aumento do sedentarismo corporal devido ao decréscimo da actividade física; a diminuição de competências sociais e auto – estima relacionadas com o aparecimento de novas patologias do foro psicológico; o desaparecimento progressivo de hábitos de literacia; e o aparecimento de fenómenos relacionados com comportamentos anti-sociais, e não raras vezes, funciona como substituto familiar. Por isso, não devemos permitir que estas tecnologias invadam todos os instantes livres da criança, é algo para ser utilizado com moderação e espírito crítico.
No tempo dos nossos pais e avós, a sociedade era caracterizada pela vida agrária ligada à natureza, não havia brinquedos, nem dinheiro para os comprar. O brinquedo da criança de hoje, já vem pronto e os brinquedos de antigamente eram construídos. Subiam às arvores e lá brincavam e imaginavam “o seu mundo”, muitas vezes aproveitavam e “roubavam” nêsperas, pêssegos e maçãs. Aos domingos quando iam à doutrina e ao terço brincavam no adro da Igreja, e alguns rapazes quando regressavam da doutrina, nas grandes descidas utilizavam as carroças de madeira, aproveitavam e davam boleia às raparigas, por vezes, ao fazer uma curva a “condução” corria mal e lá ficavam com os joelhos esmurrados.
Entre as brincadeiras dos rapazes e raparigas haviam uma demarcação bem definida. As raparigas aproveitavam as sobras de panos da costureira para fazer bonecas de farrapos e roupinhas. Os rapazes, faziam carros, motas e carroças de madeira, brinquedos de arame, carrinhos de laranjas verdes e de casca de pinheiro e ainda brincavam com rodas dos arcos dos pipos.
Em casa brincavam e jogavam com os irmãos e vizinhos: aos cantinhos, às bonecas, à apanha, às andas e à corda. Mas na maioria das crianças estas brincadeiras iam até aos 7 e 8 anos. A partir dos 8 anos já tinham outro tipo de brincadeiras, mesmo porque, também os adultos lhes atribuíam responsabilidades: as raparigas brincavam às casinhas, às costureiras e às mães, e assim, cedo começavam a fazer certas lides de casa, fazer o comer, arrumar a casa e cozer o pão; os rapazes, esses iam para o monte com o gado fazendo lá as suas casinhas, que por vezes, ficavam bem feitas, com as paredes em pedrinhas e o telhado coberto com ramos de giestas, faziam fisgas e armadilhas para caçar codornizes e outros passarinhos, andavam aos ninhos, manufacturavam facas em madeira e faziam também provas de pontaria com pedras à mão, tentar atirar o mais longe e com mais força e acertar em pinhas, em pássaros ou árvores. Uma actividade lúdica também muito comum era o jogo da porca ou choca, jogo de cajado, semelhante a um hóquei em campo rudimentar.
Não há duvida de que, mudam-se os tempos... mudam-se as vontades!

Por: Fátima Magalhães

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