Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 30-04-2007

SECÇÃO: Região

Autarquia Cabeceirense apresenta
Projecto Integrado de Desenvolvimento da Floresta

Presidente da Câmara propôs a criação de uma estrutura empresarial
Presidente da Câmara propôs a criação de uma estrutura empresarial
Proteger a Floresta com criação de estrutura empresarial
O Presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Engº Joaquim Barreto, apresentou no dia 17 de Abril, em pleno coração da Serra da Cabreira, no âmbito do Seminário que a Autarquia promoveu no Complexo Florestal da Veiga, na freguesia de Bucos, uma proposta pioneira de gestão empresarial da floresta, que consiste na criação de uma cooperativa de interesse público para promover a protecção da floresta, numa iniciativa inédita em Portugal bem recebida pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais.
Trata-se de uma estrutura que pretende agregar vários parceiros, públicos e privados, ligados ao sector florestal, tendo em vista criar uma atitude pró-activa em torno da promoção, valorização e defesa da Floresta. Feito o diagnóstico, o autarca Cabeceirense considerou que a floresta está mais pobre, com uma menor intervenção do Estado, com menos pastores, menos caça, menos agricultura, menos presença da população, mais incêndios, mais despesas no combate aos incêndios Florestais, com resultados francamente negativos que urge inverter, e assim, contribuir para fomentar, promover e preservar o uso múltiplo da Floresta.
Mais de 70 pessoas ligadas à floresta estiveram presentes
Mais de 70 pessoas ligadas à floresta estiveram presentes
Perante o Director Geral dos Recursos Florestais, Prof. Doutor Francisco Rego, autarcas, conselhos directivos de baldios, bombeiros, produtores florestais e dirigentes ligados ao sector, o edil Eng.º Joaquim Barreto defendeu que ao incrementar projectos integrados de desenvolvimento florestal, está a contribuir-se para melhor planear, ordenar, povoar, repovoar e gerir a floresta, aumentando o investimento e reduzindo a despesa na fiscalização e no combate aos incêndios florestais. Defendeu ainda que tal só é possível se houver um envolvimento de todos os agentes ligados ao sector.
Joaquim Barreto afirmou ainda que a Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios (CMDFCI), que integra vários organismos, elabora um plano municipal, mas não passa de um órgão deliberativo e como tal torna-se necessário quem execute as políticas traçadas nesse plano. O autarca realçou a necessidade da criação de uma estrutura empresarial capaz de executar as decisões tomadas pela CMDFCI. Nesse sentido, propôs a criação de uma cooperativa de interesse público, para a qual convidou várias entidades ligadas ao sector, tendo em vista desenvolver um trabalho conjunto na execução prática das políticas de defesa da floresta. Adiantou ainda que espera reunir no final de Abril ou início de Maio para que seja analisada e aprovada a proposta de estatutos, por forma a que a nova estrutura esteja a funcionar quando começar a época de fogos florestais.

Floresta fonte de riqueza e de desenvolvimento
O autarca Avelino Sousa no uso da palavra
O autarca Avelino Sousa no uso da palavra

A proposta apresentada considera assim, que os espaços florestais desempenham uma função nuclear na criação e manutenção de ecossistemas essenciais à biodiversidade, à preservação da quantidade e qualidade dos recursos hídricos, ao sequestro do carbono e à paisagem policromada; que são fonte de um vasto leque de actividade e cujas funções naturais são geradoras de oportunidades de rendimento e de emprego essenciais aos processos de desenvolvimento das áreas rurais; que a relevância económica, social, cultural e ambiental, exige de cada cidadão e das instituições a adopção de políticas e práticas que contribuam para a gestão integrada e sustentada da floresta. Esta proposta tem ainda em conta o facto de Cabeceiras de Basto ser um concelho com uma significativa área florestal e uma elevada aptidão natural para o desenvolvimento deste importante sector económico, que pode desempenhar uma função estratégica na consolidação de um modelo de desenvolvimento económico e social, se existir uma estrutura associativa com capacidade para transformar este potencial em riqueza e emprego, factores conducentes e essenciais para a fixação das populações. A terminar o autarca, referiu que o desenvolvimento integrado da floresta só será conseguido se ocorrer um conjunto articulado de políticas públicas e actividades privadas tais como prevenção e defesa da floresta, associativismo dos produtores florestais, prevenção, fiscalização e combate dos fogos florestais e ainda empresarialização dos bens e serviços gerados na floresta. “Temos que agir e não reagir”, referiu Joaquim Barreto.
Na ocasião o Director- Geral dos Recursos Florestais, Prof. Doutor Francisco Rego, considerou esta uma visão de futuro, cujo envolvimento e parceria dos vários agentes ligados ao sector contribuirá, certamente, para fazer a metamorfose face à actualidade. Salientou ainda que a proposta apresentada deve ser estudada, referindo contudo, que a figura de cooperativa de interesse público tem sido aplicada com sucesso noutros sectores. “É uma possibilidade que vale a pena aprofundar”, frisou Francisco Rego, admitindo que a criação desta estrutura empresarial “é uma solução que pode ser operacionalizada”. “A proposta tem um interesse evidente, já que a existência de uma comissão municipal que elabora um plano faz com que esta entidade sinta a necessidade de operacionalizar o que se planeou”, acrescentou.



Os trabalhos prosseguiram durante manhã, com a abordagem do tema “Um olhar sobre a floresta” onde intervieram os presidentes das Juntas de Freguesia de Bucos e de Vila Nune, assim, como o comandante dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses, um técnico da Associação de Defesa da Floresta do Minho e o Secretário-Geral da Federação dos Produtores Florestais de Portugal.
Durante a tarde, a jornada continuou com a abordagem dos temas “Ordenamento, Repovoamento e Gestão da Floresta”, num painel moderado pelo Director Regional Adjunto da Agricultura do Norte e com as intervenções do Director da Circunscrição Florestal do Norte e das Áreas Comunitárias e do Prof. Doutor Domingos Lopes, da UTAD. O terceiro painel que versou a “Prevenção, Fiscalização e Combate aos Incêndios Florestais” foi moderado pela jornalista da RDP Antena 1, Patrícia Cerdeira e contou com a presença do Comandante do Destacamento Territorial de Guimarães da GNR, o Coordenador Distrital de Operações de Socorro de Braga e ainda o Subdirector-Geral dos Recursos Florestais. O Governador Civil do Distrito de Braga encerrou a jornada “Juntos no Desenvolvimento Integrado da Floresta”.

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