Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

SECÇÃO: Opinião

O envelhecimento

“Tenho uma receita para morrer novo: envelhecer primeiro.”
Joaquim Pessoa
O envelhecimento é um processo gradual ao longo da vida, sendo um facto inevitável e encarado de acordo com cada cultura. Nos dias de hoje, infelizmente, ainda apresenta uma conotação negativa, indesejável, triste e como uma preparação ou espera da morte. Tendo em consideração esta visão conservadora e desapropriada o idoso é visto como inútil, com mau feitio, uma pessoa débil, frágil e um peso para a família. Consequentemente, na maior parte das vezes os idosos acabam por interiorizar este mito, não o contestando.
Mas esta visão está completa-mente desajustada, visto que a esperança média de vida está a aumentar, e a sociedade está perante um envelhecimento populacional significativo, que deriva da diminuição das taxas de natalidade e fertilidade, assim como ao aumento dos cuidados de saúde.
Como já referido anteriormente, o envelhecimento é um processo do ciclo vital, que envolve múltiplas alterações a nível físico, psicológico e social. Mas não se pode especificar esta fase como a mais degradante e com alterações significativas, negativas e mais acentuadas no indivíduo, porque durante toda a vida se sofrem alterações e vivências específicas. As alterações são visíveis, e derivam de fatores inevitáveis e incontroláveis. A nível físico é notável a degradação corporal contínua, o aparecimento de doenças e/ou agravamento das doenças já existentes, o aparecimento de cabelos brancos, a per-da da elasticidade da pele, tendência para aumento de peso, perda de resistência, perda de velocidade de reação e diminuição dos sentidos (olfato, visão, tacto, audição e paladar). Relativamente, a nível psicológico ocorrem algumas alterações nas aptidões cognitivas, nas habilidades perceptivo-motoras, na memória de curto prazo, no raciocínio da resolução lógica de problemas, no raciocínio prático e rapidez de pensamento, aumento de sintomatologia depressiva e ansiosa, desmotivação, diminuição de iniciativa e dificuldade em executar as atividades de vida diária. E, por fim, isolamento social, dificuldade em estabelecer relações, diminuição da predisposição para o convívio e participação nas iniciativas e atividades sociais. Assim como, outro aspeto importante é a reforma, que pode ser considerada como algo negativo, pelo afastamento da atividade profissional, dificuldade de adaptação às atividades de lazer e a outras ocupações.
Deste modo, apesar destas alterações apresentarem um impacto significativo na qualidade de vida dos indivíduos, a sociedade e o próprio indivíduo devem estar sensibilizados para a participação ativa e inclusiva, adaptando-se às circunstâncias e às exigências, assim como utilizar estratégias para combater ou diminuir o seu impacto.

*Colaboradora
Ana Sofia Matos

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